A liturgia da Palavra de Deus de hoje nos apresenta uma jornada emocionante, que fala de grandes gestos, de chamados inesperados e de um amor que tudo transforma. É como se Deus nos convidasse para uma conversa sobre como podemos ser pessoas melhores e viver de um jeito mais bonito!
Na primeira leitura, somos transportados para um momento de muita tensão. Davi, que mais tarde seria o grande rei de Israel, está sendo perseguido por Saul, o rei atual. Davi tem a oportunidade perfeita para se livrar do seu inimigo: Saul entra numa caverna exatamente onde Davi e seus homens estavam escondidos. Imaginaram a cena? Davi poderia ter dado fim à perseguição ali mesmo.
Mas a nobreza de Davi se manifesta de uma forma surpreendente. Ele se recusa a tocar em Saul. Por quê? Porque, para Davi, Saul era "o ungido do Senhor". Isso significa que Saul havia sido escolhido por Deus para ser rei. Mesmo sendo perseguido injustamente, Davi respeitou a escolha de Deus e a dignidade de Saul. Ele cortou um pedaço da capa de Saul, apenas para mostrar que esteve perto, mas não quis fazer mal.
E nós, quando temos ocasiões de nos vingar, de falar mal de alguém que nos fez algo, ou de levar vantagem de uma situação difícil para o outro? A atitude de Davi nos ensina sobre a força do respeito, da paciência e de deixar a justiça nas mãos de Deus. É um convite a olhar para o outro, mesmo o inimigo, com um pouco do olhar de Deus.
Esse gesto de Davi, tão cheio de amor e respeito, tocou profundamente o coração de Saul. Ele se emociona e reconhece a bondade de Davi, chorando e dizendo: "Tu és mais justo do que eu". O amor de Davi fez com que Saul visse a verdade e se arrependesse, ainda que por um momento. É um lembrete de como um gesto de bondade, mesmo pequeno, pode acender uma luz no coração de quem nos faz mal.
O Salmo de hoje nos ajuda a colocar essa lição de Davi em oração. Ele nos fala de confiar em Deus quando estamos em apuros, de buscar refúgio na sombra das Suas asas. Mesmo quando a vida parece difícil ou alguém nos persegue, podemos pedir a Deus que envie Seu amor e Sua verdade para nos guiar. É um convite a ter um coração como o de Davi, que, mesmo diante do perigo, sabia que sua segurança estava em Deus.
No Evangelho de hoje, testemunhamos um momento fundamental na vida de Jesus: Ele escolhe seus apóstolos. Subindo a montanha, Jesus chama para junto de si aqueles que queria, e eles foram. Este grupo é muito especial. Eles são, antes de tudo, discípulos porque acompanham o Mestre, aprendem com Ele, ouvem Suas palavras e veem Seus milagres. Mas Jesus os escolhe para algo a mais: para serem apóstolos, uma palavra que significa "enviados". Eles seriam os Seus mensageiros, aqueles que continuariam Sua missão de anunciar o Reino de Deus.
É interessante notar como Jesus escolhe pessoas tão diferentes! Simão, a quem Jesus deu o nome de Pedro (que significa "pedra"), André, Tiago e João (a quem chamou de "filhos do trovão", talvez por seu temperamento forte!), Filipe, Bartolomeu, Mateus (um cobrador de impostos, o que era muito malvisto na época), Tomé, Tiago (filho de Alfeu), Tadeu, Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes.
Cada nome traz consigo a identidade e a história de cada um, e Jesus os chama, com seus apelidos, suas qualidades e seus defeitos. Não são todos iguais, e aí está a beleza do chamado de Deus! Jesus não escolhe os mais perfeitos, os mais inteligentes ou os mais ricos. Ele escolhe pessoas comuns, com suas particularidades, para uma missão extraordinária. Isso nos mostra que Deus nos chama a cada um de nós, do jeito que somos, com nossas qualidades e imperfeições, para fazer parte de Sua grande obra. Ele vê o que há de bom em nós e nos convida a colocar nossos talentos a serviço, para que o mundo seja um lugar melhor.
Que possamos, com a graça de Deus, responder a esse chamado com um coração aberto e uma alegria contagiante, sabendo que somos valiosos aos olhos de Jesus e temos um lugar especial em Seu plano de amor para o mundo.
Pe. Thiago José Gomes