Hoje a Igreja celebra a memória de São João Bosco, sacerdote italiano e grande apóstolo da juventude. Neste mesmo mês recordamos também São Francisco de Sales, que tanto inspirou sua espiritualidade e seu modo de evangelizar. Agora, nossa atenção se volta para este santo pastor que, movido por um amor concreto pelos jovens, dedicou toda a sua vida a educar, acolher e orientar.
Dom Bosco compreendeu algo muito atual: educar é evangelizar com o coração. Ele não via os jovens apenas como alunos, mas como filhos. Não se preocupava somente com o aspecto intelectual, mas com a pessoa inteira — corpo, mente, coração e espírito. Sua pedagogia era marcada pela proximidade, pela alegria, pela paciência e pelo carinho. Por isso, fundou a Sociedade Salesiana, que até hoje continua essa missão tão necessária: ajudar os jovens a encontrarem sentido para a vida e a caminharem com Deus. Sua vida nos recorda que a santidade também passa pelo cuidado, pela escuta e pela presença amorosa junto aos que mais precisam.
A Liturgia da Palavra de hoje nos conduz a um caminho de conversão e confiança.
Na primeira leitura, vemos as consequências do pecado de Davi. Depois de sua queda, Deus envia o profeta Natã para ajudá-lo a tomar consciência do mal cometido. O profeta não acusa diretamente; ele conta uma história, uma parábola, que toca o coração do rei. Davi, ao ouvir o relato, reconhece a injustiça… até perceber que aquela história falava dele mesmo. Esse momento é decisivo. Davi poderia se defender, justificar-se ou endurecer o coração. Mas faz o contrário: reconhece seu pecado e se arrepende.
Aqui está uma grande lição para nós. Deus não quer nos humilhar, mas nos despertar. Muitas vezes Ele nos fala por meio de pessoas, acontecimentos, conselhos, situações que nos ajudam a enxergar nossos erros. A pergunta é: estamos dispostos a escutar? Temos humildade para reconhecer quando falhamos?
O salmo continua ecoando esse arrependimento sincero. É a oração de um coração contrito que confia na misericórdia de Deus. Não é desespero, mas esperança. Quem reconhece o próprio pecado abre espaço para a graça agir.
No Evangelho, encontramos um episódio muito conhecido: Jesus e os discípulos na barca, em meio à tempestade. O vento forte, as ondas agitadas, o medo tomando conta de todos… e Jesus aparentemente dormindo. Quantas vezes também nós nos sentimos assim?
Diante das dificuldades da vida, dos problemas da família, das preocupações com o futuro, parece que Deus está em silêncio, como se não estivesse vendo o que acontece conosco. Os discípulos, desesperados, gritam: “Senhor, não te importas que pereçamos?” Mas Jesus se levanta, acalma o vento e o mar, e depois pergunta: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”
Essa cena nos ensina que mesmo quando parece silencioso, Deus está presente. Ele nunca abandona a barca da nossa vida. A tempestade não é sinal de ausência de Deus, mas um convite à confiança.
Que hoje peçamos ao Senhor três graças: um coração humilde para reconhecer nossas falhas, um coração arrependido que confia na misericórdia, e uma fé firme que não desanima nas tempestades.
Pe. Thiago José Gomes