A liturgia de hoje nos coloca diante da força da conversão. Deus dirige novamente sua palavra a Jonas e o envia a Nínive. Apesar da resistência inicial do profeta, a Palavra é proclamada, e algo extraordinário acontece: um povo inteiro acredita, reconhece seu pecado e decide mudar de vida. Dos mais simples ao rei, todos assumem uma atitude concreta de arrependimento. O jejum, o saco e a cinza não eram gestos vazios, mas sinais exteriores de um coração que desejava recomeçar. E Deus, vendo a sinceridade da conversão, compadece-se e suspende o castigo.
No Evangelho, Jesus lamenta a dureza de coração de sua geração. Enquanto os ninivitas se converteram diante da pregação de Jonas, muitos permaneciam indiferentes diante d’Aquele que é maior do que Jonas. O verdadeiro sinal não é algo espetacular, mas a própria presença de Cristo, sua Palavra e seu chamado constante à mudança de vida. A Quaresma nos recorda que não precisamos esperar sinais extraordinários: o maior sinal já nos foi dado. O que Deus espera é um coração que escuta, reconhece suas faltas e decide caminhar em direção a Ele.
A conversão começa nas pequenas atitudes diárias, nos gestos simples e sinceros que revelam o desejo de mudar. Por isso, como exercício concreto, podemos assumir três pequenas renúncias diárias:
Renunciar a uma palavra negativa ou crítica, escolhendo o silêncio ou uma palavra de edificação.
Renunciar a um pequeno conforto, oferecendo esse sacrifício em espírito de reparação e amor.
Renunciar à indiferença, praticando intencionalmente um gesto de caridade ou atenção a alguém que precisa.
Assim, pouco a pouco, nosso coração vai se moldando ao coração de Deus, que nunca despreza um coração arrependido.
Deus nos abençoe e nos guarde!
Seminarista Mirosmar Gonçalves