A liturgia de hoje nos recorda que nossa relação com Deus é uma escolha e também uma eleição. No Deuteronômio, Moisés afirma que o povo escolheu o Senhor para ser seu Deus, mas também foi escolhido por Ele para ser um povo santo. Há uma reciprocidade de amor e compromisso. Deus nos chama à fidelidade “com todo o coração e com toda a alma”. Não se trata de uma obediência fria ou formal, mas de uma adesão total, que envolve vida, decisões e atitudes concretas.
O Salmo reforça essa alegria de caminhar na lei do Senhor. Feliz é aquele que progride nesse caminho, que busca a Deus de coração sincero. A santidade não é privilégio de poucos, mas vocação de todos os que desejam viver segundo a vontade divina.
No Evangelho, Jesus eleva ainda mais essa exigência: amar não apenas quem nos ama, mas também os inimigos; rezar por aqueles que nos perseguem. Esse é o amor que nos torna verdadeiramente filhos do Pai. Deus faz o sol nascer sobre bons e maus; sua misericórdia não é seletiva. Amar os amigos é natural; amar os inimigos é graça. É aí que está a perfeição à qual Cristo nos chama: uma caridade que ultrapassa medidas humanas e se inspira no próprio coração de Deus.
Nesta Quaresma, somos convidados a examinar a qualidade do nosso amor. Nosso cristianismo tem algo de “extraordinário”? Ou amamos apenas dentro dos limites da conveniência? Ser povo santo é refletir no mundo o amor gratuito e universal do Pai. E isso começa nas pequenas escolhas diárias de paciência, perdão e oração por aqueles que nos ferem.
Deus nos abençoe e nos guarde!
Seminarista Mirosmar Gonçalves