- Na primeira leitura, Paulo fala do amor, da caridade, como um caminho para a santidade cristã. Amar-se uns aos outros, praticar o amor fraterno significa, em primeiro lugar, “viver em paz” (v. 11) e não alimentar conflitos na comunidade. Ao exortar a “Trabalhar com as vossas mãos” (v. 11), diz da necessidade de procurar fazer bem o que se deve, particularmente o que se refere ao próprio ofício. Esta expressão também realça a dignidade do trabalho manual, desprezado por alguns, como coisa de escravos. O ócio, ou seja, “o nada fazer”, é que é coisa má. Paulo quer que a comunidade de Tessalônica dê exemplo de uma vida ordenada e ativa e que testemunha o amor, evitando que uns sejam peso para outros. Os Tessalonicenses, ao acolher a fé, pela pregação de Paulo, entraram na nova aliança e, por isso, são "ensinados" por Deus a amar, e a amar-se uns aos outros. A fé não diz respeito a uma série de verdades a acreditar, mas a um compromisso de vida, ao que há de mais importante: o amor. Fomos criados para amar e a coisa mais importante para cada um de nós é viver um amor generoso, ensinado por Deus. Este ensinamento não é só teórico, mas prático e eficaz.
- No Evangelho, Jesus nos ensina que a espera de sua vinda final deve ser dinâmica e fecunda. Os talentos recebidos não podem ser enterrados, inutilizados. Devem render. Estes talentos não são apenas os dotes naturais recebidos por cada um. São, mais do que isso, a salvação, o amor do Pai, a vida em abundância, o Espírito... São tesouros a multiplicar e a partilhar até ao seu regresso, ainda que demore “muito tempo” (v. 19a). Os dons também são responsabilidades de que é preciso dar contas. Na parábola, há dois “servos bons e fiéis” e um “servo mau”. Os servos bons e fiéis são louvados e premiados com a participação na alegria do senhor (vv. 20-23). O servo mau é severamente punido. “Tirai-lhe o talento e dai-o ao que tem dez talentos... a esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes” (vv. 28-29). O nosso esforço deve se orientar para o acolhimento ativo do dinamismo da vida de fé, para colaborarmos com o Senhor na transformação do mundo. Quem recebeu a graça, deve se tornar instrumento dela para os outros.
- Para refletir: Empenho-me em praticar a fé, vivendo o amor a Deus e aos irmãos? Tenho gosto em colocar os dons e bens a serviço? Tenho multiplicado e colocado a serviço os talentos que Deus me confiou? Sou servo bom e fiel ou servo mau? O que me pede a Palavra de Deus hoje? ...
Oração
Senhor,
que nos encheste da tua graça
e nos cumulaste de benefícios,
ajuda-nos a fazer frutificar os teus dons,
os talentos que nos confiaste.
Que jamais permaneçamos inertes,
ou nos deixemos vencer pelo desânimo
e pela falta de confiança.
Mantém-nos ativos e disponíveis como aqueles servos
que fizeram render os talentos recebidos,
enquanto esperavam a tua vinda,
para que o teu nome seja glorificado
entre os homens e as mulheres.
Amém.
- Para hoje: pedir a graça de viver no amor, multiplicando e partilhando os talentos que lhe foram confiados: “Progredi sempre mais” (1 Ts 4, 10).
Pe. Marcelo Moreira Santiago