Leituras: Nm 6,22-27; Sl 66; Gl 4,4-7; Lc 2,16-21
“Glória a Deus no mais alto dos céus” (Lc 2,14)
Graça a pedir:
Senhor, ajuda-me a acolher a vossa Palavra
Como a acolheram os pastores
EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO
SÃO LUCAS 2,16-21
- Imaginando a cena bíblica:
- Encontre um lugar tranquilo onde você possa estar sem interrupções. Sente-se confortavelmente.
- Feche os olhos por um momento e respire profundamente algumas vezes. Acalme a sua mente e o seu coração.
- Tome consciência da presença de Deus ao seu redor.
- Peça a Deus a graça de acolher a Palavra como a acolheram os pastores.
- Faça o Sinal da Cruz e reze ao Espírito Santo, dando início a este momento orante. Peça suas luzes e dons...
- Leia o texto bem devagar, prestando atenção nas palavras ou frases que mais tocam você.
- Imagine-se entre os pastores.
- Sinta o cansaço da noite, o cheiro do campo, o frio da madrugada.
- Sinta a surpresa e a incredulidade quando o anjo aparece e lhes anuncia a boa-nova.
- Sinta a urgência e a pressa em ir ver o menino. Como a em ir ver o menino. Como é essa pressa? É uma corrida cheia de curiosidade, de fé e de esperança.
- Chegue ao local.
- Veja a simplicidade, a pobreza. Onde fica a manjedoura? Como é o bebê?
- Observe Maria e José.
- Como são seus rostos? O que eles estão sentindo?
- Entra na cena: Você é um dos pastores. O que você faria?
- Você se ajoelharia? Você tocaria na manjedoura? Você diria algo a Maria ou a José? Ou simplesmente ficaria em silêncio, contemplando?
- Ouça os pastores contarem a Maria e a José o que lhes foi dito pelos anjos. Sinta a alegria em seus corações.
- Veja Maria. Ela “guardava todas as coisas, meditando-as em seu coração” (Lc 2,19).
- Acompanhe os pastores voltando.
- O que eles estão fazendo? “Glorificando e louvando a Deus (Lc 2,20). Sinta essa alegria transbordante, essa gratidão por terem sido testemunhas de algo tão grandioso e humilde.
- Converse com o Menino Jesus. O que você gostaria de dizer a ele?
- Quais são seus anseios, suas alegrias e suas preocupações?
- Agradeça por este mistério, por esse amor que se revela na humildade.
- Meditando a Palavra de Deus:
- Os pastores “foram apressadamente” a Belém (Lc 2,16).
- Essa pressa não é apenas física, mas espiritual. Eles haviam acabado de receber uma revelação extraordinária dos anjos: a notícia do nascimento do Salvador.
- A rapidez com que respondem ao chamado divino é um testemunho de sua fé e simplicidade.
- Quem são os pastores?
- Na sociedade da época, os pastores eram considerados figuras marginalizadas, impuras e de baixa estima social.
- Viviam à margem, sem acesso aos círculos religiosos e sociais mais elevados.
- O fato de Deus escolher justamente a eles para serem os primeiros a receber a Boa-Nova do nascimento de Jesus é profundamente significativo.
- Isso sublime a universalidade da salvação e o amor preferencial de Deus pelos humildes e excluídos.
- A mensagem de Cristo é para todos, sem distinção de status ou mérito.
- Os pastores vão “encontrar Maria e José e o menino deitado na manjedoura” (Lc 2,16).
- A manjedoura, um cocho de animais, reforça a humildade e a pobreza em que o Messias veio ao mundo.
- Deus em sua infinita sabedoria, escolhe um cenário tão simples para o maior evento da história humana.
- Os pastores se tornam os primeiros evangelizadores.
- Eles não guardam a notícia para si, mas a difundem, cumprindo, sem saber, o que seria a missão de todos os discípulos de Cristo: proclamar a Boa-Nova.
- A atitude de Maria: o coração que guarda e medita.
- Em contraste com a agitação e o testemunho verbal dos pastores, Maria apresenta uma atitude diferente, mas igualmente profunda: “Quanto a Maria, guardava todas as coisas, meditando-as em seu coração (Lc 2,19).
- Na linguagem bíblica, o “coração” é o centro do ser humano, onde residem a vontade, o intelecto e os sentimentos.
- Maria não apenas ouve os relatos, mas os assimila profundamente.
- Essa capacidade de silenciar, de contemplar o mistério e de unir os fatos em seu coração é um modelo para todo o cristão que busca viver a Palavra de Deus.
- Maria é a mestra da contemplação, ensinando-nos a não apenas experenciar o divino, mas permitir que Ele transforme nosso interior.
- “Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito” (Lc 2,20).
- A experiência com o recém-nascido, o Messias, os enche de uma alegria que transborda em louvor. Eles reconhecem a fidelidade de Deus em cumprir suas promessas.
- O louvor é a resposta natural de um coração agradecido que testemunha a ação de Deus.
- O versículo final menciona a circuncisão de Jesus no oitavo dia e a imposição do nome “Jesus”, conforme o anjo havia indicado.
- A circuncisão insere Jesus plenamente na Aliança de Israel, mostrando sua ligação com a história do povo eleito.
- Este nome mostra a missão do Menino, Ele veio para salvar a humanidade de seus pecados, revelando a essência da encarnação e o propósito de sua vida.
- Para refletir: Guardo no coração a Palavra de Deus e os sinais de sua providência e misericórdia em minha vida? Com minha vida, louvo e glorifico o Senhor? Reconheço em Jesus, o amor misericordioso que nos salva? Que respostas, dou a este amor divino.
- Rezando à luz da Palavra de Deus:
Ó Divina misericórdia,
encarnada no Coração de Jesus,
enchei o mundo com o vosso amor.
Bendita seja a Imaculada Conceição de Maria,
Mãe de Deus e nossa Mãe também.
Subamos ao monte calvário,
OndeJesus leva ao extremo a lição maior
ninguém tem maior amor
do que aquele que dá a vida pelo próximo.
Amém.
4. Contemplando a Palavra de Deus:
- Naquele Menino frágil que os pastores encontram deitado numa manjedoura de uma gruta de Belém, Deus desce à nossa história e abraça a nossa frágil humanidade.
- Ele nos traz a salvação e a paz. Não sejamos insensatos a ponto de colocar a nossa esperança de salvação nas ideologias, na clarividência dos líderes, no poder do dinheiro, na força das armas, na embriaguez dos aplausos.
- A salvação verdadeira vem de Jesus e da proposta irrecusável que Ele nos trouxe.
- Hoje, ao olhar para o Menino do presépio, podemos nos decidir a viajar com Ele e a fazer dele a nossa referência; hoje, ao contemplar o Deus que se vestiu de fragilidade para nos apontar caminhos novos de realização e de plenitude, podemos decidir-nos por uma vida mais digna, mais fraterna, mais solidária.
- Estamos disponíveis, neste Ano Novo, para um novo começo, com Jesus?
- É bem singular a lógica de Deus na sua aproximação ao mundo e aos homens… Ele não apresenta o seu “cartão de visita” aos poderosos e influentes, mas sim a uns pobres pastores de fama duvidosa.
- Os que estão em primeiro lugar, no coração paterno e materno de Deus, são aqueles filhos que mais necessitam de ternura e de amor.
- No nosso mundo aumenta todos os dias o imenso cortejo dos homens e mulheres descartáveis, para os quais não há lugar à mesa da dignidade e da abundância.
- A cada passo há mais seres humanos esquecidos e desamparados, sem cuidados e sem amor.
- Nós, os que conhecemos a lógica de Deus e do seu amor,podemos aceitar que o mundo se construa deste jeito? Que podemos fazer pelos nossos irmãos e irmãs que não têm vez, nem voz, nem direitos, nem vida?
- Os pastores, maravilhados pela “boa notícia” da chegada da salvação e da paz, reagiram com o louvor e a ação de graças.
- Sabemos ser gratos ao nosso Deus pelos seus dons, pelo seu cuidado, pelo seu amor, pelo seu empenho em nos libertar da escravidão e em nos ensinar os caminhos da paz?
- Os pastores, tocados pelo projeto libertador de Deus, tornaram-se “testemunhas” desse projeto.
- Sentimos também o imperativo do testemunho? Temos consciência de que a experiência da libertação é para ser passada aos nossos irmãos e irmãs que ainda a desconhecem?
- Maria, a Mãe de Jesus, guardava todas estas coisas “e meditava-as no seu coração”.
- Guardava-as porque não é possível olvidar os gestos incríveis que traduzem o amor e a bondade de Deus pelos seus filhos e filhas; meditava-as porque queria percebê-las plenamente e conformar a sua vida com o projeto de Deus.
- No meio da agitação, do ruído, das correrias destes dias, temos conseguido reservar momentos para guardar, meditar e tirar conclusões desta história extraordinária que é Deus vir ao nosso encontro para a todos oferecer a salvação e a paz?
Importante:
- Faça silêncio e deixe Deus falar ao seu coração... Diante desse Evangelho, quais são os grandes apelos d’Ele para a sua vida e missão?
- Reze confiante, agradecendo o ano que terminou e, cheio de esperanças, confie ao Senhor os frutos que espera colher no novo ano que se inicia...
- Um conselho: guarde no coração as coisas de Deus.
Feliz e abençoado ano de 2026
Pe. Marcelo Moreira Santiago