Hoje celebramos a Festa do Batismo do Senhor, um marco fundamental que transcende a mera recordação de um acontecimento na vida de Jesus. Trata-se da inauguração solene de Seu ministério público, da grandiosa manifestação de Sua divindade e da santificação das águas do batismo como a porta de entrada para a nossa própria participação na vida de Deus.
A Primeira Leitura, extraída do profeta Isaías, já nos prepara para a profundidade desta festa, falando-nos da missão do Messias como servo escolhido. As palavras do profeta nos remetem diretamente à voz do Pai que, no Evangelho, designa Jesus como Seu Filho eleito. Isaías apresenta este servo como um justo juiz que não age pela coerção ou pela violência, mas pela perseverança no bem e pela mansidão. Ele é aquele que trará o direito às nações, sem jamais desanimar ou se abater. Todos os povos procurarão e esperarão seus ensinamentos – como não nos lembrarmos da visita dos Magos no domingo passado, que vieram de longe em busca do Rei recém-nascido? Os cegos que são curados e os prisioneiros que são libertados são o sinal claro e visível do desejo de Deus de cura e libertação para toda a humanidade.
Na Segunda Leitura, o discurso de São Pedro nos ensina uma verdade universal: a mensagem de Jesus é para todos, sem distinção. Todos os povos são chamados à mesma fé e à mesma salvação. Pedro nos oferece um resumo conciso da vida e missão de Jesus, atestando que Ele cumpriu todas as profecias a respeito do Messias. Ele veio para curar e libertar, passando por toda parte, fazendo o bem, pois Deus estava com Ele. É uma mensagem de esperança e inclusão que ressoa em nossos corações.
O Evangelho nos mostra um Jesus que vai intencionalmente ao encontro de João Batista no rio Jordão. Ele não é levado, mas deseja e se prepara para o batismo. João, por sua vez, reconhece sua indignidade diante do Mestre: "Sou eu que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?". No entanto, ele cumpre seu papel, porque, como Jesus lhe diz, é preciso fazer as coisas "para cumprir toda a justiça". Este episódio nos ensina que nem sempre compreendemos plenamente os desígnios divinos, mas somos chamados a obedecer e a colaborar com a justiça de Deus.
Nesta narrativa de Mateus, a manifestação divina após o batismo de Jesus é grandiosa: os céus se abrem, o Espírito Santo desce sobre Ele em forma de pomba, e a voz do Pai se faz ouvir: "Este é o meu Filho amado, em quem ponho o meu agrado". É a grande revelação da Santíssima Trindade, que nos mostra que Jesus não é um mero profeta ou um homem comum; Ele é o próprio Deus, o Filho Unigênito que veio para nos salvar.
Diante de tudo isso, somos convidados a refletir: você conhece a importância do seu próprio batismo? Sabe o que ele causa em sua vida, as marcas de filiação divina que ele imprimiu em sua alma? Quando você foi batizado? É um momento propício para agradecer a Deus, aos seus pais, padrinhos e ao ministro que o(a) introduziu nesta Nova Vida em Cristo. O seu batismo é a porta que o(a) inseriu na família de Deus e no mistério da Trindade, conferindo-lhe uma dignidade inestimável.
A Festa do Batismo do Senhor nos lembra, de modo particular, a importância fundamental da Pastoral do Batismo em nossas comunidades. Ela não se esgota no rito, mas se estende ao acompanhamento e à catequese contínua dos batizados e de suas famílias, para que o dom da fé germine e frutifique em suas vidas. E, neste contexto, a escolha dos padrinhos e madrinhas adquire uma relevância capital. Eles não são meros figurantes de uma cerimônia, mas testemunhas e guias na fé, chamados a auxiliar os pais na educação cristã de seus afilhados, sendo verdadeiros exemplos de vida. Por isso, é vital que levemos a sério os critérios da Igreja para esta escolha, assegurando que sejam pessoas de fé comprovada, praticantes e capazes de oferecer um verdadeiro apoio espiritual. Que o nosso batismo, então, seja sempre uma fonte de vida nova e um compromisso renovado com Cristo e Sua Igreja.
Pe. Thiago José Gomes