A Palavra de Deus que hoje meditamos na liturgia nos convida a uma profunda reflexão sobre o chamado divino, a cura libertadora e a missão de Jesus.
A primeira leitura nos transporta para o Antigo Testamento, apresentando o belíssimo episódio do chamado de Samuel. É uma passagem que nos toca profundamente, pois revela a ação poderosa de Deus, que, em sua bondade, chama. Vemos um jovem Samuel que, embora chamado, ainda não compreende plenamente a voz do Senhor. Ele corre a Eli, o sacerdote, buscando entender o que acontece. É nesse momento que Eli assume um papel fundamental: ele se torna o guia, o auxílio para o discernimento.
Essa história é um grande ensinamento para todos nós. Quantas vezes Deus nos chama, nos fala em nosso coração, nos convida a algo novo, e nós, assim como Samuel, não conseguimos discernir sozinhos? Precisamos da sabedoria, da experiência e do auxílio de outros – seja na comunidade, na família, ou em direções espirituais – para compreender a vontade de Deus em nossas vidas e responder com um "sim" confiante.
No Evangelho de hoje, continuamos a acompanhar a missão de Jesus, que não cessa de nos surpreender com seu amor e poder. Vemos um momento de proximidade com seus discípulos, quando Ele entra na casa de Pedro e encontra a sogra de Pedro doente com febre. Jesus se aproxima, toma-a pela mão e a febre a deixa.
Mas essa cura não é apenas a resolução de um problema físico. É um sinal da verdadeira libertação que Jesus oferece. A cura de Jesus tem um propósito maior: ela a levanta e ela imediatamente se põe a servir. Isso nos questiona: será que também nós não precisamos dessa cura, desse toque libertador de Jesus em nossas vidas, para que possamos nos levantar de nossas fraquezas, medos e egoísmos e, enfim, nos colocar a serviço do Reino?
Em seguida, o Evangelho nos mostra Jesus curando muitos enfermos e expulsando demônios, mas impedindo-os de falar. Ele deseja que cada pessoa tenha um encontro pessoal e genuíno com Ele, que a fé nasça de uma experiência profunda e não da mera revelação forçada por espíritos impuros.
A missão de Jesus não se restringe a um lugar ou a um grupo. Ele mesmo diz: "É preciso que eu vá também a outras cidades anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus, pois para isso é que eu fui enviado." Sua jornada é vasta, seu amor é universal. Ele nos ensina que a Boa Nova precisa ser partilhada, que o Reino de Deus não tem fronteiras.
Que a Palavra de hoje nos inspire a estarmos mais atentos à voz de Deus, a buscar o discernimento, a permitir que Jesus nos cure e nos liberte para um serviço generoso, e a levar a Boa Nova a todos que encontrarmos em nosso caminho.
Pe. Thiago José Gomes