Hoje a Igreja celebra a memória de Santo Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da história do cristianismo. Muitas vezes ele é chamado simplesmente de “o teólogo”, tamanha foi a profundidade e a clareza do seu pensamento. No entanto, sua grandeza não está apenas na inteligência brilhante ou na capacidade de organizar a teologia de modo tão sistemático, mas sobretudo no seu profundo amor a Cristo e à Igreja.
Todo o seu estudo nascia da oração. Para Santo Tomás, conhecer a Deus não era apenas um exercício intelectual, mas um encontro vivo com o Senhor. Por isso, sua teologia era iluminada pela fé e sustentada pela humildade.
Também devemos recordar sua contribuição tão preciosa para a liturgia. A pedido do Papa, compôs os textos da Missa e do Ofício de Corpus Christi. Até hoje rezamos e cantamos suas palavras em hinos sublimes, como o Pange Lingua, o Tantum Ergo e o Lauda Sion. Além disso, suas orações de preparação e de ação de graças após a comunhão são verdadeiros tesouros espirituais da Igreja.
Damos graças a Deus pela vida e pelo ministério de Santo Tomás, pedindo a graça de unir, como ele, fé profunda, amor a Jesus e desejo sincero de compreender melhor os mistérios de Deus.
A Liturgia da Palavra de hoje também nos ajuda a refletir sobre esse amor fiel do Senhor.
Na primeira leitura, escutamos uma palavra importante dirigida ao rei Davi. Por meio do profeta Natã, Deus recorda toda a história do povo e tudo o que realizou em favor de Davi: foi Ele quem o escolheu, quem o sustentou nas batalhas, quem o conduziu e protegeu. Mais do que permitir que Davi construa uma casa para o Senhor, é o próprio Deus quem promete construir uma “casa” para Davi, isto é, uma descendência e uma aliança duradoura.
Essa passagem revela algo muito bonito: Deus é fiel. Ele nunca esquece seu povo. Seu amor é misericordioso, paciente e permanente. Seu compromisso não é passageiro, mas para sempre. Mesmo quando somos frágeis, Ele permanece firme em suas promessas.
O salmo retoma exatamente essa certeza, celebrando a fidelidade eterna de Deus. É um convite à confiança: nossa história está nas mãos do Senhor. Ele conduz, cuida e sustenta seu povo com amor constante.
No Evangelho, Jesus nos apresenta a parábola do semeador e, em seguida, oferece sua explicação. Temos a oportunidade de ver como Ele ensinava: por meio de imagens simples do cotidiano, mas cheias de profundidade. A semente é a Palavra de Deus, lançada generosamente em todos os corações.
O que faz a diferença não é a semente — que é sempre boa —, mas o terreno que a recebe.
Alguns corações são duros, outros superficiais, outros sufocados pelas preocupações e ilusões do mundo. Mas há também a terra boa, que acolhe, guarda e faz frutificar.
Essa parábola nos convida a um exame pessoal: que tipo de terreno é o meu coração?
Tenho escutado a Palavra apenas de passagem ou permitido que ela transforme minha vida?
Celebrando Santo Tomás de Aquino, somos lembrados de que a fé precisa tanto do amor quanto da escuta atenta. Ele foi uma “terra boa”, que acolheu a Palavra com inteligência, oração e dedicação, e por isso produziu frutos abundantes para toda a Igreja.
Que hoje peçamos ao Senhor um coração aberto, humilde e disponível, capaz de acolher a sua Palavra e deixá-la crescer em nós. Assim, como Santo Tomás e como Davi, também nós poderemos construir nossa vida sobre a fidelidade de Deus e dar muitos frutos de santidade para o mundo.
Pe. Thiago José Gomes