“Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado” (Jo 15,7). O Evangelho da liturgia de hoje nos mostra a importância de nos unirmos a Cristo, em todos os momentos de nossa vida. Assim como o galho permanece junto à árvore, também nós precisamos estar bem ligados Àquele do qual brota a fonte da vida. Permanecer é mais do que simplesmente estar junto; significa conformar o nosso ser e o nosso agir ao agir do Mestre, para que sejamos sinais de sua presença na vida dos irmãos.
Muitas pessoas vivem dispersas neste mundo, buscando uma alegria passageira no intuito de sanar um vazio inerente à condição humana, que anseia por amor e felicidade constantes. Todavia, essa busca muitas vezes é marcada pela frustração, pois, longe de Cristo, estamos fadados ao fracasso, como o ramo que seca longe do tronco da planta. Quem permanece unido ao Senhor dará frutos abundantes em favor do anúncio de sua Palavra.
Estando unidos a Cristo, precisamos ter a coragem de enfrentar as podas necessárias em nossa vida, para que sejamos capazes de produzir ainda mais frutos. Na maioria das vezes, não estamos preparados para nos libertarmos daquilo que nos impede de permanecermos com o Senhor. Queremos, sim, continuar junto d’Ele, mas sem nos comprometermos com aquilo que é próprio dessa condição.
Movidos pelo Evangelho de hoje, somos convidados a nos questionar: o que, em minha vida, precisa ser podado hoje para que eu produza frutos em abundância e glorifique o nome de Deus? É preciso avançar e identificar a resposta a esse questionamento, de modo que o nosso seguimento a Cristo não seja apenas de aparência, mas seja convicto e desejoso de compreender o que Ele realmente espera de nós. Nossos apegos não nos ajudarão a sermos livres para amar e servir ao Senhor; pelo contrário, quando permanecemos excessivamente presos às coisas deste mundo, somos como galhos tomados pela erva daninha, que, com o tempo, vão definhando até morrerem secos.
Não tenhamos medo de sermos podados pelo Divino Agricultor. Ainda que, por algum momento, essa purificação em nossa vida possa ser dolorosa, veremos que o resultado final trará grande alegria. A roseira, depois de produzir as mais belas rosas que enfeitam o nosso jardim, precisa ser podada, para que, na próxima primavera, possa produzir ainda mais. Também nós precisamos passar por esse processo, para que o nosso discipulado não definhe, mas se torne cada vez mais forte em benefício da Igreja.
Certamente, essas podas se tornarão menos dolorosas quando tivermos a capacidade de permanecer em Cristo, pois esse permanecer, do qual nos fala o evangelista João, é recíproco. Trata-se de uma comunhão entre nós e o Mestre, que nos convida a estarmos com Ele. Não é como a dependência do servo para com seu patrão, mas, antes, uma perfeita união, semelhante à relação entre dois amigos. Permaneçamos em Cristo, pois, sem Ele, tudo aquilo que realizarmos se tornará completamente vazio de sentido.
Assim, rezemos: Dai-nos, Senhor, a graça de permanecermos sempre unidos a vós, Videira verdadeira, para que os frutos produzidos por nossas ações sejam doces como o amor que brota de vosso coração e, assim, aqueles que conosco conviverem vejam como é bom estar unido a vós.
Amém.
Seminarista Rômulo