A Páscoa já vai avançando, e caminhamos para o seu término. Diante disso, precisamos nos perguntar quais efeitos concretos esse período tão bonito produziu em nossa vida. Cada tempo do ano litúrgico que vivenciamos na Igreja serve para nos auxiliar na busca de mais conhecer, amar e servir a Cristo.
Na Solenidade que hoje celebramos, a Ascensão do Senhor, somos convidados a renovar a nossa esperança na vida eterna. A oração da coleta desta Santa Missa nos mostra isso quando afirma que: “Na ascensão de Cristo, vosso Filho, nossa humanidade foi elevada até vós”. Isso nos revela que, por meio desse grande mistério da vida de Cristo, o céu se abre para nós, oferecendo-nos a possibilidade de um dia contemplarmos a face gloriosa do nosso Amado.
Mas, para alcançarmos a vida eterna, precisamos ter a capacidade de nos decidir firmemente por Cristo, abandonando tudo aquilo que corresponde aos valores deste mundo. Somos chamados, portanto, a adentrar na vida do Mestre e, assim, aprender sua mansidão e humildade, colocando-as em prática em nossa vida. Se queremos alcançar o céu, precisamos ter a certeza de que não conseguiremos isso se não formos capazes de romper com aquilo que não condiz com o bem que buscamos.
Não foi à toa que, após ressuscitar, Jesus passou quarenta dias preparando os discípulos para assumirem a missão que lhes seria confiada. É belíssimo pensarmos nesse cuidado de Jesus, que, aos poucos, foi “ressuscitando” os seus seguidores, para que eles também pudessem dar um testemunho firme e coerente do Evangelho ao povo ao qual seriam enviados. E o principal testemunho que precisamos dar consiste em anunciar a alegria que brota da ressurreição de Cristo.
Uma alegria que será plena quando, um dia, alcançarmos a graça da vida eterna, com a qual somos chamados a sonhar todos os dias. A nós, que somos seguidores de Jesus, cabe aprender a buscar o céu, compreendendo que nossa vida não se resume apenas ao hoje que estamos vivendo. Infelizmente, existem pessoas próximas de nós que vivem nesta terra como se não houvesse amanhã. Aproveitam todas as oportunidades para satisfazer seus prazeres, sua ambição e a busca pelas glórias terrenas, esquecendo-se de que, um dia, a vida neste mundo passa.
Todavia, é preciso ter clareza de que não basta sonhar com o céu aqui na terra sem viver com coerência a nossa fé. Os discípulos foram advertidos por permanecerem ali, parados, olhando para o céu, pois somente a admiração diante daquele mistério que acabara de acontecer, não era suficiente. Era preciso colocar em prática tudo aquilo que aprenderam de Cristo, para, assim, serem dignos de um dia encontrarem-se com Ele no céu.
Corremos o risco de cair em dois extremos: o de viver uma vida na qual se pensa que tudo se resume ao hoje, ou então experimentar uma fé desencarnada, que não se compromete com a existência concreta. É por essa razão que precisamos nos abrir à graça de Deus e nos deixar guiar pelo Espírito Santo, compreendendo qual caminho devemos seguir. Jesus não nos deixa sozinhos no momento em que sobe aos céus. Ele nos envia o Espírito Santo, por meio do qual sentimos sua presença e nos fortalecemos no desejo de dar o nosso “sim” convicto a Ele.
Assim rezemos: Fazei Senhor, vos pedimos, que nossa vida nesta terra seja comprometida com o hoje em que estamos inseridos, para que vivendo os valores do vosso Reino no cotidiano de nossa existência, possamos um dia alcançarmos junto de vós a vida eterna que sonhamos. Amém.
Seminarista Rômulo