A liturgia da Palavra desta sexta-feira nos ajuda a compreender, por meio do Evangelho proclamado, que é necessário viver uma fé que fuja das aparências, para avançarmos em direção a uma experiência concreta de encontro com Deus. Diante da Verdade plena comunicada por Cristo, nenhuma atitude que não seja marcada pela sinceridade e pela abertura de coração consegue se sustentar. Quando nos fechamos à verdade do Senhor, impedimos que aconteça em nós a verdadeira transformação que buscamos.
Isso se torna ainda mais claro quando contemplamos a atitude de Jesus diante da figueira vistosa, mas infrutífera. O Mestre, sentindo fome, aproxima-se dela em busca de frutos para se alimentar, mas nada encontra; por isso, a amaldiçoa. Tal situação aponta para uma realidade que ultrapassa a cena em si. Na sentença pronunciada pelos lábios do Senhor, percebemos uma denúncia à espiritualidade infértil dos mestres da Lei.
Cristo nos mostra que não basta cultivarmos experiências exteriores que chamem a atenção por sua aparência religiosa; é preciso ir além. O Senhor espera mais de nós. Os poderosos daquele tempo apresentavam-se diante do povo como exemplos a serem seguidos. Traziam consigo normas e exigências elevadas, que nem mesmo eles eram capazes de viver. A atitude daqueles homens não conduzia o povo a um verdadeiro encontro com Deus. Por isso, suas práticas religiosas eram semelhantes àquela figueira: bela por causa de suas muitas folhas, mas incapaz de produzir frutos.
Essa situação acende para nós um importante sinal de alerta a respeito de como temos vivido a nossa fé. Temos aprofundado suficientemente o nosso relacionamento com Cristo ou estamos nos contentando apenas com a superficialidade? O Senhor espera muito mais de nós. É por isso que, em diversos momentos, Ele assume atitudes firmes e proféticas, como a que acompanhamos na liturgia de hoje.
Os dons e carismas que recebemos de Deus não nos foram concedidos para permanecermos acomodados, sem coragem de colocá-los a serviço dos outros. Ao contrário, tudo aquilo que possuímos de bom deve ser colocado em favor do próximo, contribuindo para a nossa salvação e para a salvação de nossos irmãos e irmãs. Quando partilhamos aquilo que somos e temos de melhor, os ambientes em que estamos inseridos tornam-se marcados pela força do amor, da fraternidade e da presença de Deus.
Assim, queremos hoje rezar: “Fazei, Senhor, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais, e que a vossa Igreja vos possa servir alegre e tranquila”. Queremos vos pedir a graça de um coração curado, capaz de partilhar, cuidar e promover o bem comum, para que a nossa identidade seja sempre a vivência do amor. Mas, para isso, vos suplicamos: aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade, para que, a cada dia, nos tornemos mais próximos de Vós. Amém.
Seminarista Rômulo