Continuando nossa caminhada pelo Mês Vocacional, a liturgia destes dias destaca a missão dos profetas, homens e mulheres chamados por Deus para serem sinais de sua presença no meio do povo. Antes de refletirmos sobre as leituras de hoje, é importante recordar que existe uma diferença entre o sacerdócio do Antigo Testamento e o sacerdócio instituído por Cristo no Novo Testamento. No Antigo Testamento, os sacerdotes eram responsáveis principalmente pelo culto e pelos sacrifícios oferecidos a Deus em favor do povo. Já no Novo Testamento, Jesus se torna o único e perfeito Sacerdote, oferecendo a si mesmo na cruz para a salvação da humanidade. Os sacerdotes da Igreja participam desse único sacerdócio de Cristo, tornando presente sua ação salvadora por meio dos sacramentos e do anúncio da Palavra.
Na primeira leitura de hoje, o profeta Ezequiel recebe uma ordem surpreendente de Deus. Aquilo que acontece publicamente com sua própria vida torna-se um sinal para todo o povo. Deus utiliza os acontecimentos vividos pelo profeta para transmitir uma mensagem de conversão e de esperança. O povo não deveria apenas ouvir suas palavras, mas também contemplar seu testemunho.
Essa é a missão profética por excelência: tornar-se um sinal visível da presença e da vontade de Deus. Mais do que discursos, os profetas falam através da própria vida. Foi exatamente isso que Jesus fez de maneira perfeita. Assumindo a cruz, permaneceu fiel ao Pai e fiel à sua missão. Mesmo diante da injustiça, do sofrimento e da rejeição, continuou vivendo o amor, a verdade e a misericórdia. Também nós somos chamados a testemunhar nossa fé não apenas com palavras, mas principalmente com nossas atitudes.
O Evangelho nos apresenta a continuação do relato da multiplicação dos pães. Agora a cena acontece durante a noite. O mar agitado, o vento contrário e a escuridão formam um cenário que representa as dificuldades, os medos e as incertezas que muitas vezes fazem parte da caminhada dos discípulos. Eles estão sozinhos na barca e enfrentam uma situação que parece estar além de suas forças.
É nesse momento que Jesus vai ao encontro deles caminhando sobre as águas. A cena revela seu poder sobre a criação e manifesta que nada está fora de seu domínio. Diante daquele acontecimento extraordinário, os discípulos ficam apavorados e cheios de medo. Quantas vezes também nós reagimos assim quando enfrentamos situações que não compreendemos!
Mas Jesus lhes dirige uma palavra cheia de consolo: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!". Essa mesma palavra continua ecoando em nossos corações ainda hoje. Quando tudo parece escuro, quando os ventos contrários se levantam e as soluções não aparecem, o Senhor continua presente e caminhando ao nosso encontro.
Pedro toma a iniciativa de ir ao encontro de Jesus sobre as águas. Enquanto mantém os olhos fixos no Senhor, consegue caminhar. Porém, quando percebe a força do vento, deixa-se dominar pelo medo e começa a afundar. Quantas vezes isso também acontece conosco! Iniciamos nossa caminhada de fé com entusiasmo, mas diante dos problemas, das preocupações e dos sofrimentos, enfraquecemos e duvidamos da presença de Deus.
Mesmo assim, Jesus não abandona Pedro. Estende-lhe a mão e o segura. O Senhor faz o mesmo conosco. Ele conhece nossas fraquezas e continua oferecendo seu auxílio para que não percamos a esperança.
Ao final, a notícia sobre Jesus se espalha e muitos procuram sua presença. Que também nós possamos conhecê-lo cada vez mais profundamente e acolhê-lo em nossa vida. Mesmo quando não enxergamos uma saída, mesmo quando as dificuldades parecem maiores do que nossas forças, Cristo continua nos dizendo: "Sou eu. Não tenhais medo." Quem confia no Senhor jamais caminha sozinho.
Pe. Thiago José Gomes