Hoje celebramos a memória de São Bernardo de Claraval, um dos maiores mestres espirituais da Igreja. Monge, abade, pregador e doutor da Igreja, destacou-se por sua profunda vida de oração, sua devoção à Virgem Maria e seu empenho pela unidade da Igreja. Sua famosa expressão, “Olha para a estrela, invoca Maria”, continua ajudando muitos cristãos a permanecerem firmes na fé.
Neste Mês Vocacional, São Bernardo nos recorda que toda vocação nasce do encontro sincero com Deus e se sustenta por uma vida de oração, confiança e fidelidade.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel apresenta a Palavra de Deus que denuncia a profanação do nome santo do Senhor entre as nações. O povo havia sido chamado para testemunhar a santidade de Deus, mas suas atitudes acabaram produzindo o efeito contrário. Deus, porém, anuncia uma profunda renovação: não abandonará seu povo, mas lhe dará um coração novo.
Essa promessa é uma das mais bonitas de todo o Antigo Testamento. Deus afirma que retirará o coração de pedra e dará um coração de carne. A dureza de coração é justamente a incapacidade de acolher a vontade divina, de se deixar corrigir, de amar e de perdoar. Um coração endurecido fecha-se para Deus e para os irmãos. Já o coração de carne é aquele que permanece sensível à ação do Espírito Santo, capaz de conversão e de crescimento espiritual.
No Evangelho, Jesus continua ensinando sobre o Reino dos Céus através da parábola do banquete de casamento. O rei prepara uma grande festa para seu filho e envia convites aos convidados. No entanto, muitos recusam participar. Alguns estão ocupados com seus negócios, outros com seus interesses pessoais. A festa está pronta, mas eles consideram outras coisas mais importantes.
Essa parábola nos ajuda a compreender o convite que Deus continuamente dirige à humanidade. O Reino dos Céus é apresentado como uma festa preparada por amor. Contudo, muitas vezes estamos tão preocupados com nossas próprias atividades, projetos e preocupações que acabamos ignorando a presença de Deus em nossa vida.
Diante da recusa dos primeiros convidados, o rei manda chamar todos os que forem encontrados pelos caminhos. A salvação é oferecida a todos. Deus não fecha suas portas a ninguém. Entretanto, o Evangelho apresenta um detalhe que pode parecer estranho: um homem participa da festa sem o traje adequado e é retirado do banquete.
O traje de festa não se refere simplesmente a uma roupa material. A tradição da Igreja sempre viu nele o símbolo da conversão, da vida nova recebida de Deus e da disposição interior de quem acolhe verdadeiramente o chamado divino. Não basta estar presente; é necessário permitir que a graça transforme a vida.
Por isso Jesus conclui afirmando que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos. O chamado é universal. A resposta, porém, depende da liberdade de cada pessoa. Que São Bernardo nos ajude a acolher com generosidade o convite que Deus nos faz todos os dias.
Pe. Thiago José Gomes