- Na primeira leitura, Paulo dá a entender que na comunidade de Corinto, havia alguns que contestavam a sua autoridade. O Apóstolo começa por afirmar: somos "servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus"; nada mais. Estas palavras nos lembram o que Jesus disse: “Quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer'” (Lc 17, 10). Fica assim realçada a identidade do Apóstolo, em relação a Cristo que o chamou. Também somos “administradores dos mistérios de Deus”, isto é, responsáveis por testemunhar a ação de Deus que dispensa os seus ministérios, mas também por viver o chamado que Ele nos faz. Aos “servos-administradores” requerer-se que sejam fiéis ao Senhor e ao serviço que lhes é confiado. Paulo se sente submetido ao juízo de todos, mas se sente livre. Contudo, diante do juízo de Deus, não se sente livre, mas obrigado a cumprir a sua missão.
- O Evangelho realça o espírito com que deve ser praticado o jejum. A alegoria esponsal nos leva a considerar Jesus como "o esposo", cuja presença é motivo de alegria e cuja ausência será motivo de tristeza. O Antigo Testamento desenvolve muito esta alegoria esponsal para iluminar as relações de Israel com o seu Senhor e a relação de cada fiel com Deus. É sempre útil refletir sobre a novidade trazida por Cristo e testemunhada pelo Evangelho. Lucas não fala simplesmente de um pedaço de pano para remendar uma roupa velha. Fala, sim, do gesto de alguém que “recorta um pedaço de roupa nova para o colocar em roupa velha”. É evidente que Lucas quer estigmatizar a atitude daqueles que, recusando a novidade do Evangelho, acabam por destruir o que é novo sem realizar o que é velho. O verdadeiro discípulo de Jesus, a partir de sua experiência de fé, intui que a Palavra de Jesus chega como cumprimento das profecias e que a adesão de fé a Jesus o põe na linha de todos quantos, antes de Jesus Cristo, se abriram à escuta da Palavra de Deus e se deixaram guiar pelos profetas. Em Jesus se realizam as promessas contidas no Antigo Testamento.
- Para refletir: Vivo o discipulado missionário no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo? Procuro administrar bem aquilo que Deus me confia como dom e missão? Reconheço em Jesus o Messias/Salvador que realiza, na plenitude dos tempos, o que foi prometido no Antigo Testamento, realizando a novidade do Reino de Deus?
Oração
Senhor,
dá-me uma mente inocente, aberta
e capaz de conhecimento infinito.
Dá-me o sentido do bom gosto, que não me fecha no "velho"
mas, ainda que valorizando-o, sabe colher
a novidade da graça,
sempre dotada de originalidade e elegância espiritual.
Ó Senhor, dá-me aquele sentido de equilíbrio
que não me amarra a normas
e práticas decaídas e ultrapassadas,
mas, por intuições felizes,
leva-me a fazer opções espontâneas e adequadas
a todos os tipos de situação.
Amém.
Pe. Marcelo Moreira Santiago
Primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.
Sagrado Coração de Jesus, nós temos confiança em vós!