A festa da Exaltação da Santa Cruz que no oriente é comparada àquela da Páscoa, relaciona-se com a dedicação das Basílicas constantinianas construídas no Gólgota e sobre o sepulcro de Cristo. Foi na Cruz que Jesus consumou a sua oblação de amor para glória e alegria de Deus e para nossa salvação. É, pois, justo que veneremos o sinal e o instrumento da Redenção.
- Na primeira leitura, do Livro dos Números, vemos o povo, seguindo pelo deserto rumo à terra prometida, murmurar porque não tem o que deseja. Revoltam-se por não suportar o cansaço do caminho (v. 2) e também por causa da fome e da sede (v. 5). Aquele povo já não é capaz de reconhecer o poder de Deus, já não tem fé no Senhor que agora vê como Aquele que lhe envenena a vida. Deus manifesta o seu juízo de castigo em relação ao povo, mandando serpentes venenosas (v. 6). Na experiência da morte, os hebreus reconhecem o pecado cometido contra Deus e pedem perdão. E, tal como a picada da serpente era letal, assim, agora, a imagem de bronze erguida sobre uma haste se torna motivo de salvação física para quem for mordido. São João reconhece na serpente de bronze erguida no deserto por Moisés a prefiguração profética da elevação do Filho do homem crucificado. É o olhar da fé para Jesus Crucificado-ressuscitado o grande sinal da nossa redenção, livrando-nos do veneno do pecado e da morte, trazendo-nos vida e salvação.
- O texto do Evangelho faz parte do longo discurso com que Jesus responde a Nicodemos, apontando a necessidade da fé para obter a vida eterna e fugir ao juízo de condenação. Jesus, o Filho do homem (v. 13), vem da parte do Pai; é aquele que “desceu do Céu” (v. 13), o único que viu a Deus e pode comunicar o seu projeto de amor, que se realiza na oblação do Filho unigênito. Jesus se compara à serpente de bronze (Nm 21, 4-9), afirmando que a plena realização do que aconteceu no deserto irá se verificar quando Ele for elevado na cruz (v. 14) para salvação do mundo (v. 17). Quem olhar para Ele com fé, isto é, quem acreditar que Cristo crucificado é o Filho de Deus, o salvador, terá a vida eterna. Acolhendo n´Ele o dom de amor do Pai, o ser humano, a mulher e o homem, passam da morte do pecado à vida eterna. No horizonte deste texto, transparece o cântico do "Servo de Javé" (Is 52, 13ss.), onde encontramos juntos os verbos "elevar" e "glorificar". Compreende-se, portanto, que São João quer apresentar a cruz, ponto supremo de ignomínia, como vértice da glória. Só se acreditamos em Cristo crucificado, isto é, se nos dispomos a acolher o mistério de Deus que incarna e dá a vida por todos; só se nos pormos diante da vida com humildade, livres para nos deixar amar e, por nossa vez, tornar-nos dom de amor aos irmãos e irmãs, saberemos receber a salvação: participaremos na vida divina de amor. Celebrar a festa da Exaltação da Santa Cruz significa tomar consciência do amor de Deus Pai, que não hesitou em nos enviar o seu Filho Jesus Cristo para a nossa vida e salvação.
- Para refletir: Sou de murmurar contra Deus, reclamando da vida? Reconheço em Jesus crucificado/ressuscitado, Aquele por quem sou libertado das serpentes do pecado e da morte? Dou testemunho do amor de Deus, vivendo uma vida oblativa, colocada a serviço dos meus irmãos e irmãs? Tomo a minha cruz, renovando este bom propósito a cada dia, no seguimento de Jesus Cristo? Em que mais a festa da Exaltação da Santa Cruz me ajuda a viver minha fé em Deus? ...
Oração
Divino Coração de Jesus,
Tu nos amaste e quiseste a cruz,
como nos mostras nas chamas do teu amor;
não tinhas modo mais forte de nos dizer
que devemos amá-la.
Abraço a tua cruz.
Quero carregá-la hoje e em todos os dias, praticando a tua Palavra
de vida, verdade e salvação.
Amém.
Pe. Marcelo Moreira Santiago