“Aquele que, antes, nos perseguia, está agora pregando a fé que, antes, procurava destruir”.
Como são belos os caminhos do Senhor, pois, em sua infinita bondade e misericórdia, nosso Deus é capaz de transformar até mesmo aqueles corações mais endurecidos, tornando-os dóceis aos seus apelos e capazes de acolher, em tudo, a sua vontade. Foi o que Ele fez com Paulo e com tantos outros que, conquistados pelo Senhor, se tornaram grandes arautos de sua Palavra no mundo. Diante dessa realidade, precisamos nos animar sempre mais em nosso propósito de conformarmos a nossa vida com a vida de Cristo, pois, à medida que vamos abrindo a nossa vida à sua ação, somos transformados pela sua graça.
A nossa capacidade de sermos transformados reside no fato de que Deus nos conhece desde o momento em que fomos criados. Como nos diz o salmista: “Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis”. Se somos tão conhecidos por aquele que nos criou, logo, somos cuidados por Ele e, assim, fortalecidos por seu amor. Deus nos conhece e nos olha não por aquilo que podemos oferecer agora, mas por aquilo que ofereceremos à medida que vamos nos deixando guiar pelo seu Espírito.
Por essa razão, devemos pedir sempre a Deus, inspirados pelo refrão do salmo na liturgia de hoje: “Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!” Deixando-nos conduzir por Ele, saberemos o que Ele deseja de nós, qual resposta espera de nós, para que, assim, não corramos o risco de errarmos o caminho. Sabemos que, muitas vezes, mesmo com boa intenção, acabamos não dando espaço para Cristo em nossa vida e empreendemos ações que não condizem com o desejo do Senhor para nós.
E o que é esse desejo? Que sejamos seus amigos. É evidente que o Senhor quis contar conosco para servirmos a Ele e à sua Igreja; no entanto, antes de sermos servidores, precisamos ser seus amigos. No Evangelho de hoje, vemos o contraste entre o serviço de Marta e a contemplação amorosa de Maria. É verdade que nenhuma das duas estava errada, pois a primeira queria oferecer o melhor para Cristo; no entanto, Maria sabia que, antes de oferecer algo material ao Senhor, era preciso oferecer-lhe o coração.
Assim, que, neste dia, ao meditarmos a liturgia da Palavra, possamos elevar ao Senhor a seguinte prece:
“Dai-nos, Senhor, um coração disponível, capaz de oferecer a vós aquilo que temos de melhor, sem nos preocuparmos em oferecer muito, mas nos preocupando em oferecer o todo de nossa alma. Queremos ser vossos amigos, queremos fazer de nossa vida uma nova Betânia, onde gostais de ficar, onde gostais de permanecer, para que, cultivando uma profunda amizade com o Senhor, possamos ser vossos sinais concretos na vida de tantos com os quais convivemos. Amém.”
Seminarista Rômulo Ribeiro