“Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?”
Quando pensamos em nosso relacionamento com Deus, essa pergunta do salmista nos desconcerta, pois percebemos que o amor do Senhor por nós não depende da nossa capacidade de corresponder à altura de tudo aquilo que Ele faz em nosso favor. Quanta maravilha, quanto cuidado e quanto zelo para com a nossa existência! Tudo isso porque Deus deseja nos salvar e nos libertar de uma vida sem sentido, na qual corremos o risco de nos deixar levar pelas forças deste mundo, que tantas vezes provocam em nós o vazio e o desespero.
Diante de tamanho amor, o que nos resta é louvar o Senhor por sua bondade e misericórdia, que tanto nos surpreendem e nos comovem. Precisamos aprender, assim como nos ensina o salmo de hoje, com os pequeninos que elevam a Deus um perfeito louvor. São aqueles que, mesmo parecendo insignificantes aos olhos do mundo, reconhecem a grandeza do Senhor e se tornam exemplos de humildade e de fidelidade no serviço a Ele.
Louvamos e bendizemos a Deus por permanecer ao nosso lado e não nos abandonar diante das dificuldades próprias da vida. Como Jesus nos diz no Evangelho de hoje: “não fiqueis preocupados”. A preocupação, quando nos domina e nos rouba a paz, pode nos fazer esquecer que não caminhamos sozinhos. O cristão é chamado a confiar na graça de Deus, que vem em seu auxílio, e a reconhecer que não é autossuficiente, pois é no Senhor que encontra a força necessária para enfrentar os desafios de cada dia.
Muitas vezes, deixamo-nos paralisar pelo medo porque, diante dos desafios da nossa caminhada de fé, queremos vencer com nossas próprias forças. É justamente aí que reside o nosso erro: esquecemo-nos de que Deus caminha conosco e de que sua graça nos sustenta até mesmo quando não sabemos qual direção seguir. Se surgem incertezas, se caminhamos com insegurança ou se não sabemos o que encontraremos nesse chão desconhecido que caminhamos, precisamos confiar. Confiar na promessa de Cristo, que nos assegura: “O Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.
Entretanto, para acolhermos a ação desse Espírito, precisamos silenciar o coração. Isso não significa que Deus deixe de falar quando estamos inquietos, mas que, em meio a tantos ruídos e preocupações, muitas vezes temos dificuldade de perceber sua presença e discernir sua voz. O Senhor não invade nossa liberdade nem força a entrada em nosso coração; Ele espera que lhe abramos as portas para que sua graça encontre espaço em nossa vida.
Por isso, não permitamos que o barulho das preocupações nos impeça de perceber a presença suave do Espírito Santo, que nos ilumina, orienta nossas escolhas e nos inspira a agir segundo a vontade de Deus. Mesmo quando não sabemos o que dizer, quando nos faltam forças ou quando o futuro parece incerto, o Senhor permanece conosco. No silêncio da oração, aprendamos a reconhecer sua voz, que nos convida a seguir em frente com confiança e esperança, como se nos sussurrasse ao coração: “Eu estou aqui. Não tenha medo, confie em mim!”
Seminarista Rômulo Ribeiro