“Grandiosas são as obras do Senhor”. Com o salmista da liturgia de hoje, somos convidados a reconhecer a grandeza de Deus, que se manifesta no cotidiano de nossa vida por meio de suas obras. Tudo aquilo que nos cerca pode nos ajudar a contemplar a bondade do Senhor e a render-lhe graças por tudo de bom que Ele fez e continua fazendo em nosso favor. É certo, contudo, que muitas vezes nos esquecemos de dar graças a Deus, pois preferimos nos apegar às dificuldades e aos desafios da realidade que nos cerca. Assim, deixamos de perceber as pequenas manifestações do amor divino que se fazem presentes em nosso dia a dia.
Reconhecer e acolher a grandeza e a beleza de Deus, manifestadas em suas obras, desperta em nosso coração um profundo sentimento de gratidão, que nos compromete com o anúncio dessas maravilhas a todos os que necessitam experimentar a salvação. Mesmo com o coração ferido e machucado pelas adversidades da vida, somos chamados a nos tornar sinais da presença de Cristo no mundo. Fazemos isso porque, em algum momento de nossa caminhada, experimentamos o amor do Mestre e fomos alcançados por sua graça. Quem reconhece o bem que Deus realizou em sua vida não pode guardar essa experiência somente para si, mas é convidado a partilhá-la com os irmãos.
Diante da missão de proclamar a Boa-Nova da salvação, muitas vezes nos deparamos com nossas limitações e fragilidades, questionando se somos realmente capazes de realizar aquilo que o Senhor nos confia. No entanto, precisamos confiar na palavra de São Paulo aos Filipenses: “Aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la à perfeição até o dia de Cristo Jesus”. Tudo de bom que realizamos em nossa caminhada terrena é fruto da graça de Deus, que age em nós e nos fortalece. É essa mesma graça que continuará nos sustentando e capacitando para o bem, à medida que nos abrirmos, com confiança e disponibilidade, à ação amorosa do Senhor em nossa vida.
É preciso, portanto, cultivar um coração dilatado pelo amor, para que tudo o que fizermos seja expressão de nossa união com Cristo. Quando nos afastamos dessa fonte, corremos o risco de transformar nossas ações em instrumentos de vaidade, buscando apenas o reconhecimento humano ou a satisfação dos próprios interesses. As obras que nascem da comunhão com Deus, porém, produzem frutos que permanecem: promovem a vida, libertam da escravidão do pecado e testemunham a força transformadora do Evangelho. Aquilo que é realizado no amor de Deus ultrapassa os limites de nossos interesses pessoais e se torna sinal de sua presença na história humana.
É justamente essa compreensão da liberdade e do amor que faltava no coração dos fariseus. Presos a uma interpretação rígida da Lei, eles demonstravam maior preocupação em preservar seus interesses e defender suas concepções religiosas do que em reconhecer a necessidade daqueles que sofriam. Embora aceitassem socorrer um animal em dia de sábado, questionavam a possibilidade de Jesus devolver a saúde e a dignidade a uma pessoa necessitada. Não compreenderam que a Lei, dada por Deus em sua infinita bondade, deve conduzir à vida, à misericórdia e ao amor ao próximo.
Também nós precisamos examinar nossas atitudes para que a vivência da fé não se reduza ao cumprimento exterior de normas ou à busca de reconhecimento pessoal. Nosso agir cristão deve ser uma expressão concreta da salvação que o Senhor, em sua bondade, deseja nos conceder. Por isso, diante de alguém que sofre, não basta conhecer a Palavra de Deus: é necessário transformá-la em gestos de acolhida, compaixão e solidariedade. Que nossas obras revelem a grandeza do Senhor e que, por meio delas, aqueles que cruzarem nosso caminho possam experimentar o amor de Cristo, que não exclui, não aprisiona e jamais deixa de promover a vida.
Seminarista Rômulo Ribeiro