Na Igreja Católica, e em sua rica liturgia, há momentos para todos os instantes de nossa vida, quer sejam eles bons ou desafiadores. A celebração dos fiéis defuntos nos coloca diante da situação limítrofe de nossa vida, de nossos projetos e sonhos: todos morreremos! Esta é a condição de nossa humanidade em sua finitude e fragilidade. Mas esta não é a principal lembrança que a Igreja quer colocar diante de nós neste dia dedicado aos fiéis defuntos! A intenção é a de colocar frente à esperança viva que o Senhor Jesus nos concede no amor do Pai e em seu Espírito.
Esta esperança, já era relativamente compreendida desde o Antigo Testamento. Jó fala de um redentor que está vivo, pois Deus é um Deus dos vivos e não dos mortos, e que embora nossa morada neste mundo, nosso corpo, nossa carne, nossa pele, nós ainda veremos a Deus, com nossos próprios olhos e a Ele contemplaremos.
Ora, se Jó, servo na Antiga Aliança, já proclamava essa verdade quanto mais nós, que fomos mediados em Deus pela redenção de Cristo. Pois Ele ressuscitou dos mortos como primícias de todos aqueles que cressem em seu nome. Se por Adão conhecemos a desobediência, o pecado e a morte, mas antes do pecado a ternura e os cuidados de Deus, quanto mais pelo novo Adão, o Cristo, fomos resgatados do pecado e da morte e passamos a pertencer a ele. E nem mesmo a morte pode resistir à fidelidade, a obediência e a entrega confiante de Cristo aos planos do amor de Deus por nós. Deus precisa ser tudo em todos.
Por isto precisamos estar preparados, em alerta constante, precavidos de não pegos de surpresa vivendo uma vida que não está na direção do céu, pois o Filho do Homem vai chegar quando menos o esperamos e pedirá contas aos nossos corações da vida que vivemos e do amor com o qual amamos ou deixamos de amar. É necessário que nos perguntemos com toda sinceridade, diante da morte, e da saudosa lembrança de nossos fiéis defuntos: tenho vivido a minha vida de uma tal forma que quando eu morrer todos possam estar chorando (pela saudade que deixarei), mas eu estarei sorrindo, pois combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé?
O dia de Finados, pois, o dia dos fiéis defuntos guarda sim, uma tristeza, mas mesclada de esperança; e ao mesmo tempo uma alegria, pois sabemos em quem depositamos nossa confiança: só Deus é nosso pastor, que nos conduz nesta vida, para que não me falte coisa alguma, mas que igualmente me conduz para o além daqui, a fim de que não me falte o céu.
QUESTÃO NORTEADORA: (para ser respondida mais com o coração e a vida do que com a razão e o pensamento)
ORAÇÃO: Ó Deus, que em vosso Cristo vencestes magnificamente a morte e nos abristes a porta do céu, dai-nos viver de uma tal forma que a morte não nos assuste mas seja vivenciada por nós como uma passagem necessária deste mundo para a terna companhia, convosco para todo o sempre, amém.
Diác. Robson Adriano