A liturgia da Palavra de hoje nos convida a mergulhar em questões muito humanas e espirituais, que ressoam em nossos corações até hoje: o desejo de sermos como os outros, as consequências de nossas escolhas e a profundidade da salvação que Jesus nos oferece.
A primeira leitura nos coloca diante de um episódio emblemático da história do povo de Israel. É uma verdade muito humana: muitas vezes, queremos nos comparar aos outros e ser iguais a eles. O povo de Deus também experimentou isso. Eles observavam as nações vizinhas, que tinham seus reis, e desejaram ter um também. Havia um rei em Israel, e este era o próprio Senhor! Mas eles queriam um rei visível, um como os outros povos.
Quantas vezes nós também insistimos em querer coisas, sem nos darmos conta das consequências que isso pode ter a longo prazo? E com Deus, infelizmente, agimos de forma semelhante. Tantas vezes pedimos, relutamos e queremos que as coisas sejam do nosso jeito, mesmo quando somos advertidos.
No episódio de hoje, vemos isso claramente. Eles queriam um rei, e o homem de Deus, Samuel, tenta avisá-los das graves consequências dessa escolha. Um rei terreno, por mais bem-intencionado que seja, sempre estará sujeito à tentação do poder, à vaidade e a querer se colocar no lugar de Deus. No entanto, Deus, em sua infinita paciência e amor, concede o desejo do seu povo, sabendo que essa experiência também será um caminho de aprendizado e amadurecimento.
Essa passagem nos faz refletir: será que estamos sempre atentos à voz de Deus, que nos adverte e nos guia? Ou nos deixamos levar pelos padrões do mundo, esquecendo-nos que o Senhor é o nosso verdadeiro Rei?
No Evangelho, encontramos Jesus cercado por uma multidão. Certamente, muitos O procuravam em busca de milagres e curas para suas enfermidades físicas. Em meio a essa multidão, trouxeram a Ele um paralítico, na esperança de que Jesus o curasse. Com certeza, imaginavam que a sua maior necessidade era a cura física.
Mas o Mestre, que conhece os corações e as verdadeiras necessidades de cada um, os surpreende ao dizer ao homem: "Filho, teus pecados estão perdoados."
Essa afirmação gerou espanto e julgamento por parte dos escribas e fariseus presentes. Eles questionavam em seus corações a autoridade de Jesus para perdoar pecados, achando que Ele não sabia do que o rapaz realmente precisava – a cura da paralisia. No entanto, Jesus, conhecendo os seus pensamentos e julgamentos, os corrige. Ele mostra que a cura física é uma expressão concreta de sua manifestação como Deus, e um sinal visível de que Ele tem, sim, o poder de perdoar pecados. Ele demonstra que o perdão, a reconciliação com Deus, está em primeiro lugar.
A cura da alma, o perdão dos pecados, é a raiz da verdadeira libertação. Ao restabelecer a pessoa com Deus, Jesus a capacita a viver uma vida plena e verdadeiramente livre. A cura física é um dom maravilhoso, mas a cura espiritual é a que nos salva para a eternidade.
Que esta Palavra nos ajude a confiar mais na sabedoria de Deus do que em nossas próprias vontades, e a reconhecer que a maior de todas as curas é o perdão que Jesus nos oferece, restaurando nossa relação com o Pai.
Pe. Thiago José Gomes