“Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos, com louvores, vos bendigam!”. Com esse trecho do salmo da liturgia de hoje, somos convidados a reconhecer que tudo de bom que realizamos em nossa vida, é fruto da graça de Deus, que age em nós, capacitando-nos para trabalharmos em favor de seu Reino. O nosso mérito de discípulos consiste na abertura à ação do Espírito Santo, que vem em auxílio da nossa fraqueza, encorajando-nos diante das dificuldades desta vida terrena.
Esse movimento vemos claramente no relato da primeira leitura: embora sofresse com diversas perseguições, Paulo e os demais apóstolos não se deixam vencer pelas dificuldades e, sustentados pela confiança Naquele que chama e envia, animam-se mutuamente na busca por levar a cabo a missão a eles confiada. Somente alguém que confia verdadeiramente em Deus, encontra forças para permanecer firme diante das perseguições e ainda animar aqueles que sofrem do mesmo mal.
Mas perguntemo-nos: temos sido capazes de permanecer firmes diante das dificuldades presentes em nossas vidas? Vivemos hoje em uma cultura cada vez mais hedonista, que tende nos fazer fugir de tudo aquilo que nos causa dificuldades; tudo isso motivado por uma busca pela vivência desordenada dos prazeres. Na sociedade atual, encontra-se grande resistência em assumir compromissos duradouros, devido à incapacidade de enfrentar as lutas inerentes a essa condição. Isso revela também um fechamento ao amor, pois este, muitas vezes, implica saber sofrer e lidar com as frustrações.
Para gozarmos desse amor, é preciso que nossa vida esteja envolvida pela paz que vem do coração do Ressuscitado. No Evangelho de hoje, vemos Jesus ainda no seu discurso de despedida, deixando a sua herança espiritual aos discípulos. O Mestre tinha consciência de que, a partir do momento em que seus seguidores precisassem exercer a missão a eles confiada, enfrentariam muitas dificuldades; é por isso que Ele pacifica o coração daqueles homens, para que pudessem confiar que não estariam sozinhos.
Na nossa vida de fé, precisamos ter claro que a paz que Jesus nos concede não significa ausência de conflitos ou uma vivência passiva diante da realidade; mas é, antes, a capacidade de lidarmos com os conflitos nesta terra, mantendo a nossa confiança Naquele que é fiel e nos chama a permanecermos com Ele.
Vivendo em uma sociedade inquieta e desordenada, que busca cada vez mais o prazer, a riqueza e as glórias terrenas, precisamos implorar a Deus a graça de nutrirmos em nosso coração o desejo de realizarmos as obras de nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo. O chefe deste mundo luta contra a força do bem para nos desviar do caminho da vida, que consiste na união com o nosso Amado; todavia, precisamos permanecer firmes, para que a sua força maligna não seja capaz de nos afastar do nosso propósito de cumprir o ensinamento de Cristo.
Assim rezemos com fé: Senhor Jesus, ao subir para o Pai, nos deixastes como herança a paz que brota de vosso coração. Fazei com que essa mesma paz não nos deixe acomodados diante das realidades que nos cercam nesse mundo, mas inflamai o nosso coração com o desejo de transformar essas realidades, superando, sobretudo, toda condição de dor, injustiça ou desigualdade. Dai-nos a capacidade de trazermos em nossas mãos o unguento da alegria e da esperança que cura e restaura os corações feridos.
Amém.
Seminarista Rômulo