“Sim, é bom o Senhor e nosso Deus; sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente.” A confiança no amor imutável do Senhor por nós, ajuda-nos a enfrentar as dificuldades próprias de nosso caminhar na fé. É a sua bondade que nos fortalece e impede que nos desesperemos diante das experiências negativas que, por vezes, enfrentamos em nosso discipulado. Não estamos sozinhos: Jesus caminha conosco e nos fortalece em nossa missão.
Cabe-nos estar atentos para percebermos a sua ação em nosso favor no cotidiano da vida. Na maioria das vezes, em nossa existência, deixamo-nos levar por inúmeras preocupações que nos impedem de perceber a presença efetiva e afetiva do Senhor em nossa vida. As muitas desilusões que enfrentamos, inerentes ao nosso “sim”, causam em nós certo desânimo; todavia, é preciso ter clara a necessidade de uma confiança inegociável, para não nos desesperarmos.
É preciso compreender que Jesus não nos engana enquanto discípulos: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós”. Certamente, o Senhor poderia vender uma grande ilusão para atrair os seus discípulos, afirmando que o discipulado é marcado pela calmaria e pela ausência de dificuldades. No entanto, Cristo quer nos apresentar tudo aquilo que é inerente à missão para a qual Ele nos convoca, para que sejamos livres e para que, ao decidirmos por Ele, não o façamos apenas por aquilo que Ele tem a nos oferecer, mas porque o amamos e desejamos permanecer junto d’Ele.
Neste Evangelho, o Mestre nos convida a aderirmos à sua missão, vivendo também a realidade da perseguição. O discipulado não é marcado por uma vida fácil, na qual podemos oferecer apenas o básico de nossa caminhada; é preciso avançar e estar atentos para não buscarmos encontrar um Cristo sem cruz e, assim, sermos surpreendidos com a cruz sem o Cristo.
Mas como amar quando as pessoas não são capazes de receber o amor que desejamos oferecer? Basta-nos não seguir os critérios do mundo, que impõe uma lógica retributiva, propondo que amemos somente aqueles que nos são úteis ou que nos fazem algum bem. O amor verdadeiro, desejado por Cristo, não exige nada em troca, mas é oferecido de maneira gratuita e sem reservas. Aprendamos de Jesus, que nos ama não porque merecemos, mas porque necessitamos de seu amor e de sua graça.
Por isso, rezemos: “Infundi, Senhor, em nosso coração o desejo de permanecermos verdadeiramente unidos a vós, para que as perseguições e incompreensões deste mundo não sejam capazes de nos afastar de Ti. Queremos ser vossos servidores, capazes de vencer a lógica do mal presente no mundo, para podermos curar as feridas do coração com o unguento do amor e da esperança. Fortalecei em nossa vida este bom propósito, para que todos aqueles que convivem conosco nos reconheçam pelo amor.”
Seminarista Rômulo