Na liturgia da Palavra de hoje, contemplamos a presença de Jesus como revelador do rosto amoroso do Pai, que vem ao encontro de seu povo para assisti-lo em suas necessidades. Os textos dos Evangelhos que estamos acompanhando ao longo destes últimos dias do período pascal apresenta o discurso de despedida de Jesus. Nesse contexto, vemos o Mestre confirmando os discípulos em sua fé, mostrando-lhes que não permanecerão sozinhos quando Ele voltar ao Pai.
Para nós, deve ser animador aquilo que Jesus nos comunica, apresentando a esperança da vida que restaura a comunhão perfeita com o Pai. O Mestre nos mostra que aquele que reza a Deus Pai, utilizando-se da mediação salvífica do Filho, não ficará sem resposta em suas petições. Todavia, Cristo é claro ao afirmar a necessidade de permanecermos sempre unidos a Ele pela oração, pelo serviço e pela escuta atenta da Palavra.
A vinda do Messias encarnado ao mundo, sua presença no meio do povo, sua paixão, morte e ressurreição não são fruto do acaso dentro da história humana. Todo esse movimento ganha sentido quando olhamos para o amor que o Pai nutre pela humanidade, sua criatura predileta. Deus sabia que, diante da situação em que os homens se encontravam, somente a vinda do Cristo Salvador poderia restituir a nós, seres humanos pecadores, a possibilidade da salvação.
Essa verdade deve aquecer o nosso coração e, ao mesmo tempo, nos interpelar a respeito da maneira como temos respondido a essa ação benevolente em nossa vida. Diante de tanto amor destinado a nós, precisamos nos deixar envolver por essa trama sagrada e nos inserir na construção de um caminho que nos leve à vida eterna. Há muitos irmãos nossos que não são capazes de abraçar tamanha dádiva, porque se encontram apáticos em suas vidas; não é isso que o Senhor espera de nós.
Nosso coração precisa ser um coração apaixonado pela beleza do Evangelho de Cristo, que nos impele em nosso discipulado. Na nossa vida precisamos ter o mesmo entusiasmo e disposição que teve Apolo, que buscou anunciar a pessoa do Ressuscitado, mesmo sem conhecê-lo suficientemente.
Não podemos esperar a hora que julgamos ser a certa para anunciar o amor de Cristo pela humanidade. Há muitos corações feridos, sangrando por falta de cuidado e atenção; existem muitos que se perdem diante dos vários caminhos que lhes são oferecidos. Não sejamos indiferentes, em nossa vida, a essas situações. Gastemos toda a nossa existência para retribuir o amor do Pai, que nos enviou seu Filho Jesus para nos alcançar a salvação.
Por isso rezemos: Senhor da vida, infundi em nosso coração a vossa graça, para que sejamos capazes de, guiados pelo seu amor, mostrar a todos a vossa face misericordiosa. Não permitais que sejamos indiferentes ao fato de que muitas pessoas ainda não vos conhecem, inspirai em nossa vida o desejo de tornar o vosso nome cada vez mais conhecido e amado por todos. Amém.
Seminarista Rômulo