“O Senhor ama seu povo de verdade.” Com essas palavras do salmista, somos convidados pela Liturgia da Palavra de hoje a confiar cada vez mais na bondade, no cuidado, na presença e, principalmente, no amor de Deus por nós. É belo compreendermos que, mesmo diante de nossas fraquezas e limitações, o Senhor não se cansa de nos amar e de caminhar ao nosso lado. Bem sabemos que, muitas vezes, somos nós que nos cansamos de procurar o Amado de nossa alma; preferimos nos acomodar, em vez de avançarmos na direção de Cristo.
Quando não damos um salto de qualidade em nossa vida de fé, perdemos a oportunidade de acolher a beleza do amor divino em nossa existência. Agimos como aquele peregrino que, estando no deserto da vida, morre de sede, pois não enxerga, ao seu lado, a fonte inesgotável do amor de Deus, que jorra e o sacia. Precisamos, neste mundo tão conturbado em que vivemos, desbloquear nossos sentidos para sermos capazes de contemplar o agir discreto do Senhor em nossa vida.
Buscando alcançar esse propósito em nossa caminhada de fé, nada melhor do que escancararmos o nosso coração para que o Paráclito possa agir em nós e nos mostrar a necessidade de sermos instrumentos, ainda que falhos, nas mãos do Senhor. Por nossas próprias forças, não somos capazes de realizar nada; precisamos ser dóceis à ação do Senhor, que vem em auxílio de nossa fraqueza, para não desfalecermos diante das tempestades deste mundo.
E haveremos de enfrentar muitas dificuldades no cumprimento da vontade do Senhor. Ele não nos ilude quando afirma, categoricamente, as perseguições e incompreensões que sofreremos por sermos seus discípulos. Mas isso não deve nos desanimar; pelo contrário, deve nos alegrar, pois, ao enfrentarmos tais provações nesta vida, seremos dignos de ser chamados testemunhas do Senhor ressuscitado. Não há por que se desesperar quando permanecemos bem unidos a Jesus; Ele jamais nos deixará sozinhos em nossa caminhada terrena.
Por isso queremos rezar: Senhor Jesus, seguir os seus passos nem sempre é fácil, às vezes vacilamos, erramos o alvo e nos deixamos conduzir por nossas próprias inclinações. Neste dia queremos vos pedir, que envieis sobre nós a vossa graça, para que ela possa dissipar de nosso coração todo o medo que nos impede de vos amar e servir generosamente. Fazei que sejamos capazes de retribuir com nossos dons, tudo aquilo que o Senhor faz de bom em nossas vidas. Não permitais que sejamos indiferentes ao vosso agir, mas que o teu amor nos inquiete na busca por sermos seus fiéis discípulos. Amém.
Seminarista Rômulo