“A minha alma tem sede de vós, ó Senhor!”. Sedentos da presença de Deus, nos debruçamos mais uma vez sobre a sua Palavra, com o intuito de fortalecer em nós o desejo de amá-Lo cada dia mais. O salmista nos ajuda quando afirma, com a sabedoria que brota do Espírito Santo, que o amor que vem do alto vale mais do que a própria vida (cf. Sl 62,4); é, portanto, a nossa maior riqueza. Diante disso, devemos nos perguntar: por que inquietar-nos com tantas preocupações, se a única coisa que realmente deve nos importar é estarmos bem unidos a Nosso Senhor?
Não há maneira melhor de nos unirmos ao Amado de nossa alma do que nos dedicarmos fielmente à prática da oração. São Judas nos exorta, na primeira leitura, a edificar a nossa vida sobre o firme alicerce da fé e a perseverar na oração, para que permaneçamos firmes no amor que brota do coração de Deus. A vida de oração é a principal chave para nos relacionarmos com o Senhor e acolhermos a sua vontade em nossa vida. Não podemos nos deixar levar pela tentação de negligenciar essa dimensão tão importante do nosso discipulado.
Mas como encontrar espaço para rezar diante das muitas atribuições que cada um de nós precisa realizar ao longo da vida? Não se trata de uma resposta fácil, nem existe uma fórmula pronta para isso. No entanto, a nossa disposição para nos relacionarmos com Deus cresce à medida que cresce em nosso coração o desejo de amá-Lo. Quando amamos alguém, não queremos estar longe dessa pessoa; ao contrário, em todos os momentos, o nosso coração arde pelo desejo de encontrá-la.
É inegável, porém, que um grande obstáculo para nos abrirmos à relação com o Senhor é o fato de, muitas vezes, nos esquecermos de que Ele caminha ao nosso lado, é nosso amigo e deseja estar conosco. Somos chamados a romper as barreiras que nos impedem de cultivar uma verdadeira proximidade com Deus, para que não caiamos no mesmo erro dos fariseus e mestres da Lei: resistir à mensagem de Cristo.
Aqueles homens, doutos no conhecimento religioso, possuíam uma vida marcada pelas aparências e pelo apego ao poder. Quem vive dessa forma não é capaz de experimentar a libertação que o Senhor nos comunica por meio de sua Palavra. Isso deve nos inquietar, pois não estamos isentos de cair em semelhante erro. Aquele que não reza e não cresce na intimidade com Cristo começa a vê-Lo não como um amigo próximo, mas como um estranho que o interpela e denuncia as incoerências de sua vida. Sabemos que a Palavra de Cristo é luz que ilumina toda e qualquer escuridão; por isso, precisamos acolhê-la com docilidade e abertura de coração.
Rezemos, portanto:
Ó Deus, que manifestastes o vosso imenso amor pela humanidade enviando o vosso Filho muito amado, Jesus Cristo, para nos salvar, concedei-nos a graça de permanecermos sempre unidos a Ele. Que, trazendo em nós os mesmos sentimentos que habitavam o seu coração, sejamos capazes de acolher o vosso projeto de salvação em nossa vida. Não permitais que os ruídos deste mundo nos façam desviar o olhar daquele que deve ser o centro do nosso discipulado: Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
Seminarista Rômulo