- Na primeira leitura, vemos, ao que tudo indica, que circulavam entre os cristãos de Corinto, dúvidas acerca da verdade da ressurreição de Cristo, o que punha em causa a integridade da fé e a unidade da Igreja. Paulo intervém decididamente, ao afirmar que o evento da ressurreição é objeto do testemunho apostólico: são muitos, e dignos de fé, aqueles que viram o sepulcro vazio e o Senhor Ressuscitado. O próprio Paulo fez experiência do Ressuscitado e, por isso afirma: “pela graça de Deus sou o que sou” (v. 10). A ressurreição de Jesus entrou na pregação apostólica. A partir deste evento, os Apóstolos, não só aderiram à novidade de Cristo com todas as forças, mas fizeram dele sua tarefa missionária. Se Cristo não tivesse ressuscitado, seria vã a sua pregação e o seu trabalho, como afirma o Apóstolo, e nós seríamos os mais infelizes do mundo: infelizes porque enganados e iludidos. É, pois, claro que, ao serviço desta verdade fundante do cristianismo, não está só a tradição apostólica, mas também o testemunho da comunidade cristã e de todo o verdadeiro discípulo de Jesus.
- No Evangelho de hoje, cruzam-se dois temas de fundo: em tom polêmico, a oposição de Jesus a um fariseu e, em tom de proposta, a relação entre Jesus e a pecadora. Ao fariseu, Jesus quer ensinar que uma pessoa não pode ser considerada só a partir do exterior, ou das suas experiências passadas. Uma mulher, notoriamente pecadora, é sempre capaz de tomar um novo rumo. Precisa apenas de encontrar irmãos e irmãs, não hipercríticos e invejosos, mas alguém que a compreenda e redima. Jesus veio para isso! À mulher, Jesus quer ajudar a compreender que a vida vale não pela soma das experiências passadas, ainda por cima negativas e deletérias, mas pelo encontro central e decisivo com a Sua pessoa, que não é só capaz de compreender e de perdoar, mas também de resgatar e de renovar. Foi para isso que Ele veio! A nós, destinatários do Evangelho, Jesus quer nos fazer compreender que é a fé que nos salva: a fé n´Ele, verdadeiro homem, amigos dos homens e das mulheres, sobretudo dos pecadores, e verdadeiro Deus, feito homem, feito amigo dos publicanos, dos pecadores e das meretrizes, Deus capaz de perdoar todos os nossos pecados, um Deus com uma palavra consoladora e eficaz para cada um de nós: “A tua fé te salvou. Vai em paz”. (v. 50).
- Para refletir: Acredito que o Cristo ressuscitado é certeza da vitória, qual graça de Deus, que recebi, libertando-me da escravidão do pecado e da morte? Como vivo esta vida nova, dada pelo Batismo? Minha vida é anúncio constante do Cristo vivo, crucificado-ressuscitado, meu Senhor e Salvador? Como ajo com as pessoas, acolhendo-as e ajudando-as, com compaixão e misericórdia, ou com dureza de coração? Tenho ajudado, com minha conduta, as pessoas a se aproximarem da graça de Deus, ou as tenho afastado da misericórdia divina? ...
Oração
Senhor,
é eterna a tua misericórdia!
Perdoaste muito à pecadora
apenas porque ela confiou no teu amor,
e ignoraste a lógica do perdão,
que avalia cada um pelo dom que é.
É bonito doar, mas é bonito, sobretudo, perdoar.
Senhor, é eterna a tua misericórdia!
Ofereceste à pecadora a tua paz,
porque, com fé, acreditou em Ti,
ensinando-nos a lógica do abandono,
que oferece compaixão a quem confia.
É bonito abandonar o supérfluo,
mas é bonito, sobretudo, abandonar-se a Ti!
Senhor, é eterna a tua misericórdia!
Amém.
Pe. Marcelo Moreira Santiago