“É para a liberdade que Cristo nos libertou”.
Essa verdade, anunciada na Liturgia da Palavra de hoje, deve estar sempre diante de nossos olhos, pois, quando tomamos consciência da libertação que Cristo conquistou para nós por meio de seu sacrifício, tornamo-nos mais dispostos a romper com todas as amarras que nos impedem de viver a plenitude de sua vontade. Acolher a liberdade em Jesus significa ser capaz de abraçar a grandeza de ser cristão. Justificados pelo Senhor, precisamos agir como tais.
Ser livre é não se apegar às aparências externas, vivendo uma religião inautêntica, incapaz de libertar e de dar vida, que prende o ser humano a práticas exteriores que não o tornam um verdadeiro amigo de Cristo. Todavia, é preciso compreender que essa liberdade da qual falamos não significa descomprometimento, como se pudéssemos fazer tudo o que quiséssemos, sem procurar colocar em prática os ensinamentos do Senhor. Somos livres, sim, mas livres para fazer o bem em Cristo.
O critério para agirmos com liberdade é o critério do Evangelho. Isso porque, nele, não há espaço para uma vivência medíocre da fé. Nas páginas sagradas que relatam o agir de Cristo, encontramos uma Palavra que deve orientar e conduzir toda a nossa vida cristã. Quando colocamos em prática os ensinamentos ali contidos, compreendemos que uma experiência de fé marcada apenas pelas aparências não é capaz de transformar o nosso interior, como nos alerta Jesus no Evangelho de hoje.
Cresce, em nosso tempo, até mesmo dentro da Igreja Católica, a preocupação com os eventos de massa. Shows, retiros, palestras, lives... É nítida a preocupação com o engajamento nas redes sociais. Infelizmente, em muitos casos, a qualidade da evangelização é medida pelo número de curtidas que determinado conteúdo recebe, e não pela quantidade de corações que, transformados pela Palavra de Deus, se comprometem com a missão da Igreja.
A repreensão que Jesus dirige ao fariseu no Evangelho de hoje deve também nos interpelar: por que nos preocupamos tanto com fotos e vídeos, chegando, em alguns momentos, a colocar aquilo que é tão caro à nossa fé no mesmo nível de um “meme” nas redes sociais? Será que também nós não estamos nos preocupando mais com as aparências do que com aquilo que realmente importa? Precisamos, sim, estar no mundo, encontrar nosso espaço no ambiente das mídias e falar ao coração dos jovens e daqueles que se encontram afastados. Mas a que preço?
Diante disso, rezemos: Ensinai-nos, Senhor, a sermos cristãos autênticos, que não se preocupam apenas com as aparências, mas que se comprometem verdadeiramente com a verdade contida em vosso Evangelho. Afastai de nosso coração toda tendência ao mundanismo espiritual, para que possamos nos apegar àquilo que realmente importa: levar a vossa Palavra a tantos corações feridos que necessitam de cura e libertação, sobretudo da escravidão do pecado. Amém.
Seminarista Rômulo Ribeiro