“Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação”. Com as palavras do salmista, somos convidados a expressar o amor que sentimos por Deus, não apenas por meio de palavras, mas sobretudo por ações concretas que manifestem nossa gratidão por todo o bem que o Senhor realiza. Como nos ensina Santo Inácio de Loyola, “o amor deve ser colocado mais em ações do que em palavras”. Infelizmente, vivemos em um tempo no qual a palavra amor parece perder o seu verdadeiro sentido, sendo muitas vezes utilizada sem o compromisso de viver os valores que a Palavra de Deus nos ensina.
Diante disso, podemos nos perguntar: como manifestar nosso amor a Deus, se tudo aquilo que lhe oferecemos é pequeno diante de sua grandeza? De fato, nosso louvor e adoração nada acrescentam à divindade do Pai Celeste. No entanto, o próprio Senhor nos oferece um caminho concreto para expressarmos esse amor: o cuidado com os irmãos que convivem conosco, especialmente aqueles que mais necessitam de nossa atenção. O culto que celebramos, as orações que fazemos e a liturgia que vivemos encontram seu sentido pleno quando transformam-se em gestos concretos de amor e serviço ao próximo.
É justamente isso que nos ensina a primeira leitura, quando o Senhor transmite a Moisés suas leis e chama a atenção para o cuidado com o estrangeiro, o órfão, a viúva e o pobre. Os quais representam aqueles que precisam de maior atenção e que devem ser destinatários privilegiados do amor daqueles que desejam fazer a vontade de Deus. Não podemos ser indiferentes ao sofrimento dos nossos irmãos, pois isso fere o coração de Deus. O Senhor não espera de nós um culto vazio, distante das necessidades humanas, mas uma espiritualidade capaz de transformar aquilo que rezamos em remédio para a vida dos que sofrem.
A Palavra de Deus, portanto, apresenta-nos um caminho claro: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Não podemos agir como os fariseus, que multiplicavam preceitos e proibições, mas não viviam o essencial: o amor. Cumprir regras pode ser fácil, pois basta realizar aquilo que está prescrito. Amar, porém, é exigente, porque requer um coração disposto a acolher, perdoar, cuidar e comprometer-se com o bem do outro. Quando não há espaço para a vivência do amor, nossa religião se torna uma prática meramente exterior.
Essa realidade também precisa ser considerada em nossas famílias e comunidades. Quantas vezes vemos relacionamentos se enfraquecerem pela falta de diálogo, carinho e atenção! Há pais que trabalham arduamente para que nada falte materialmente aos seus filhos, mas que, em meio às preocupações diárias, se esquecem de demonstrar o amor por meio da presença e do cuidado. O mesmo pode acontecer com as mães, que se dedicam incansavelmente à família, mas nem sempre encontram tempo para expressar, em gestos concretos, o amor que carregam no coração. É claro que o trabalho, a dedicação e o cumprimento dos deveres podem ser manifestações de amor; contudo, precisamos ir além, fazendo com que essas atitudes sejam acompanhadas de carinho, diálogo, perdão e atenção. Não basta cumprir nossas obrigações: é necessário que nossas ações revelem um coração em sintonia com o coração de Jesus, manso e humilde, capaz de amar e cuidar.
Assim, que hoje, acolhendo a Palavra do Senhor e colocando-a em prática, possamos nos tornar sinal de esperança para todos, a exemplo da comunidade dos Tessalonicenses, elogiada por São Paulo por sua acolhida da Palavra e pelo testemunho oferecido às demais comunidades. Assim, manifestaremos, com nossa vida, que amar a Deus é também amar concretamente nossos irmãos e irmãs.
Seminarista Rômulo Ribeiro