Nesses últimos momentos do período pascal que vamos vivenciando, a liturgia da Igreja quer chamar nossa atenção para a importância do compromisso que devemos assumir com Jesus Cristo e sua mensagem. Na primeira leitura de hoje, vemos claramente a oposição dirigida a Paulo. O Apóstolo enfrentava um momento de forte perseguição em sua vida, o que certamente exigiu dele grande confiança no Senhor, de modo a fortalecer a sua perseverança.
É verdade que a confiança verdadeira em Jesus está intimamente ligada ao amor sincero que sentimos por Ele. Do contrário, se não o amássemos verdadeiramente, nós o abandonaríamos diante da primeira dificuldade que surgisse em nosso caminho. A resposta autêntica que damos ao Senhor só acontece mediante um amadurecimento em nossa relação com Ele. Foi isso que sustentou o apostolado de Paulo, de Pedro e dos demais discípulos.
Exemplo disso é o diálogo que acompanhamos no Evangelho de hoje, no qual Jesus busca confirmar o amor daquele que havia escolhido para ser o pontífice de sua Igreja. Bem sabemos que Pedro, por diversas vezes, foi precipitado em sua relação com o Mestre, fruto de uma imaturidade que ainda não o capacitava plenamente para responder com fidelidade ao chamado recebido. Não há dúvidas de que o momento mais doloroso para esse Apóstolo foi quando negou o seu Amado, pois ali recusara com veemência o amor que recebera de Jesus.
Certamente poderíamos pensar que as precipitações e os erros de Pedro eram consequência de uma falta de amor ou de uma incompreensão a respeito da verdadeira missão de Jesus, da qual ele também era chamado a participar. Talvez, em parte, isso seja verdade. Quando nos empolgamos excessivamente com algo ou alguém, corremos o risco de nos esquecer do que realmente é essencial, e assim acabamos decepcionando a nós mesmos e também aqueles que amamos. Desta forma precisamos ter claro que nenhum discipulado se fundamenta solidamente na euforia, mas sim num compromisso verdadeiro que sustenta a vocação.
Entretanto, a pergunta que permanece é: o que fazemos quando nos precipitamos no caminho? Pedro chorou amargamente a traição que cometera. O arrependimento tomou conta de seu coração e, por essa razão, ele se tornou digno da misericórdia de Cristo. O Mestre sabia de que barro aquele pescador havia sido feito, mas ao mesmo tempo enxergava nele potencialidades que o tornavam apto para ser uma das colunas de sua Igreja. É por isso que Jesus se reaproxima de Pedro e reafirma a confiança que sempre depositou nele.
Assim, também somos chamados a refletir sobre a nossa vida. Embora possamos cometer muitos erros, Jesus nunca desiste de nós. Assim como fez com Pedro, Ele vem ao nosso encontro, restaura nossas forças e nos impulsiona novamente para a missão. O mais belo em todo esse movimento do Mestre é perceber que, a partir desse reencontro, já não importa mais a nossa própria vontade, mas sim a vontade de Cristo. Foi isso que aconteceu com Pedro: ao entregar-se totalmente ao Senhor, sua vida ganhou um novo sentido, levando-o a viver sua missão até as últimas consequências, culminando no martírio.
Por isso rezemos: Amado Jesus, com a vossa sensibilidade de Mestre, foste capaz de restituir a Pedro a sua dignidade de discípulo, mediante a confirmação de seu amor. Nós vos queremos pedir, aumentai em nós a capacidade de reconhecermos nossas fraquezas, para que não sejamos iludidos pela prepotência de acharmos que por nossas próprias forças somos capazes de cumprir vossa vontade. Dai-nos a coragem de a cada dia confirmarmos o amor que sentimos por Vós. Amém.
Seminarista Rômulo