A Liturgia de hoje, fala-nos de gente pequena aos olhos do mundo, mas grande diante de Deus. Sofonias diz que o Senhor fica com um “punhado” de humildes e pobres: gente que não confia só na própria força. Na vida, a gente percebe isso fácil: quando achamos que damos conta de tudo sozinhos, o coração fica duro e cansado. Já quando reconhecemos nossas limitações, quando pedimos ajuda e confiamos em Deus, algo muda por dentro. A pobreza de espírito não é miséria, é saber que a vida não se sustenta sozinha.
São Paulo continua nessa mesma linha e dá um choque na nossa lógica: Deus não escolhe os mais fortes, nem os mais sabidos, nem os mais importantes. Ele escolhe quem o mundo ignora. Quantas vezes a gente se sente pequeno, insuficiente, fora do padrão? Pois é exatamente aí que Deus trabalha. Quando paramos de competir e de provar valor o tempo todo, nasce uma liberdade nova. A fé nos lembra que não precisamos ser “os melhores” para sermos amados: basta sermos verdadeiros.
No Evangelho, Jesus chama de felizes aqueles que o mundo costuma chamar de fracassados: os pobres, os que choram, os mansos, os perseguidos. Ele não está dizendo que sofrer é bom, mas que Deus não abandona ninguém na dor. Felizes são os que não perderam o coração, mesmo machucados. As bem-aventuranças mostram que o caminho da vida não é acumular, mandar ou vencer, mas amar, confiar e fazer o bem. O Reino começa quando a gente vive assim, com simplicidade e coragem, um dia de cada vez.
Pensemos:
1. Onde eu tenho tentado ser forte demais, sem deixar Deus agir?
2. O que, na minha vida, o mundo chama de fracasso, mas Deus pode estar usando?
3. Qual bem-aventurança mais toca a minha realidade hoje?
Tenhamos a certeza de que Deus nos ama. Ele não procura heróis, procura corações abertos. Quem se faz pequeno encontra espaço para Deus agir, e aí a vida, mesmo simples, começa a fazer sentido.
Seminarista Mirosmar Gonçalves.