A liturgia da Palavra de hoje continua a nos apresentar a importância de permanecermos unidos a Cristo e dispostos a fazer a sua vontade. Meditando o último capítulo do livro dos Atos dos Apóstolos, percebemos a necessidade de estarmos preparados para anunciar a Palavra de Deus em todos os momentos de nossa vida, não importando as circunstâncias que se apresentem diante de nós.
Vemos essa disposição quando olhamos para o testemunho de São Paulo que, mesmo em meio às perseguições, foi capaz de permanecer firme no anúncio da esperança da vida nova que vem por meio de Cristo. Contudo, para que tal coragem seja possível, é preciso ter em mente a necessidade de acreditarmos na bondade do Mestre, que perdura para sempre e nos acompanha em nosso caminho. Quando esmorecemos em nossa resposta ao Senhor, muitas vezes é porque não nos abrimos suficientemente à sua graça e acabamos nos deixando conduzir por nossas próprias inclinações. Paulo é um grande exemplo desse abandono confiante à vontade e aos cuidados de Deus.
Entretanto, uma figura que também deve chamar nossa atenção na liturgia de hoje é o discípulo amado. Olhando para o seu modo de ser, somos convidados a aprender com sua disposição em escutar os ensinamentos de Jesus e colocá-los em prática. Na construção do Evangelho de João, esse discípulo aparece como modelo para todos nós que, em nosso caminhar na fé, buscamos realizar em tudo a vontade do Senhor.
O discípulo amado soube amar o seu Mestre, mas também soube acolher o amor de Jesus em sua vida. Muitas vezes erramos o caminho porque nos esquecemos do quanto somos amados pelo Senhor. Se tomarmos consciência dessa imensa riqueza, as coisas deste mundo ganharão um novo sentido em nossa experiência de fé. Isso porque, ao invés de nos submetermos ao domínio das realidades criadas, passaremos a utilizá-las para melhor servir ao Nosso Senhor.
Contemplar a figura do discípulo predileto lança luz sobre diferentes situações de nossa vida e nos mostra que o discipulado de Jesus se concretiza na fidelidade cotidiana. Vejamos que muitos santos se notabilizaram, ao longo da história da Igreja, por sua capacidade de entrega no martírio. Contudo, ao olharmos para a figura do discípulo amado, percebemos que ele não precisou derramar o próprio sangue para alcançar a santidade.
Ao afirmarmos isso, queremos dizer que um jeito de ser santo é melhor do que o outro? Certamente não. O que desejamos evidenciar é que a chave para a santidade está em nossa capacidade de amar e também de nos reconhecermos amados por Deus. O manancial da graça amorosa do Senhor permanece sempre aberto, contudo, precisamos acolhê-lo em nossa vida e permitir que transforme o nosso existir em um luminoso farol, capaz de testemunhar a ação de Deus no meio da humanidade. Certamente Jesus fez, faz e continuará fazendo muitas coisas pela humanidade, mas todas elas precisam ser conhecidas, para que o seu santo nome seja cada vez mais amado e servido.
Por isso queremos rezar: Deus todo-poderoso, nós vos pedimos que, com vossa ajuda generosa, conservemos, em nossa vida, em nossos costumes, o que celebramos nas festas pascais que estamos para encerrar. Ajudai-nos a tornar concretos os frutos de todos os exercícios espirituais realizados ao longo desses dias, de modo que nossa vida seja toda ela permeada pela alegria que brota da ressurreição. Amém.
Seminarista Rômulo