São Januário foi bispo de Benevento. Destacou-se pelo forte trabalho de evangelização e caridade junto ao seu povo. Durante a perseguição de Dioclesiano, no início do século IV, sofreu o martírio juntamente com outros companheiros, em Nápoles, onde é especialmente venerado.
Segundo a tradição, uma mulher chamada Eusébia recolheu o sangue do bispo logo após a sua execução em ampolas, que hoje são guardadas na Catedral de Nápoles. O sangue armazenado permanece normalmente em estado sólido (uma massa escura), mas se liquefaz milagrosamente três vezes por ano. Acontece no primeiro sábado de maio, no dia 16 de dezembro e no dia 19 de setembro (data da sua festa litúrgica).
- Na primeira leitura, Paulo, ao concluir o ensinamento sobre a ressurreição de Jesus e sobre a nossa ressurreição, faz uma pergunta: “como ressuscitam os mortos? Com que corpo regressam?” (v.35). Nota-se a tristeza do Apóstolo, motivada pela mentalidade materialista em que se tinham deixado envolver alguns cristãos de Corinto, e que os levava a dissociar o corpo do espírito. Não tinham em conta a ressurreição de Cristo, nem dela tiravam as devidas consequências. Isto era insuportável para Paulo, para quem o mistério pascal era uma verdade irrenunciável. A ressurreição de Cristo inaugura uma novidade absoluta: a passagem de um corpo físico a um corpo espiritual estava prevista no desígnio salvífico de Deus. Não podemos, pois, refletir sobre o corpo espiritual à maneira como, a partir das nossas experiências, pensamos o nosso corpo físico. A relação entre o primeiro homem, Adão e Cristo, último Adão, nos ilumina: a novidade de Cristo não consiste em ter a vida, mas em dar a vida nova a todos. Será um dom integral que envolverá todo o homem - corpo, alma e espírito - numa experiência de vida nova e eterna. Depois de termos sido irmãos do primeiro homem, Adão, tendo levado conosco a imagem do homem terreno, também seremos irmãos do último Adão, Cristo, levando conosco a imagem do homem celeste.
- No Evangelho, São Lucas nos transmite abundantes ensinamentos de Jesus em parábolas. Aqui, nos apresenta a primeira e, para ele, a mais importante: a parábola do bom semeador ou "parábola da semente". De fato, a atenção dele, ao narrar, parece concentrar-se, não tanto nos gestos do semeador, mas no destino das sementes lançadas. O começo da parábola nos leva também nessa linha: “A semente é a Palavra de Deus” (v. 11). Porque terá Jesus querido marcar o começo do seu ministério público com esta parábola? Teria dado conta da dificuldade dos seus contemporâneos em escutar a sua pregação? Parece que sim... Mas a parábola talvez tenha um alcance mais vasto: nos diferentes destinos da semente lançada, podemos entrever, não só os diferentes modos de reação dos seus ouvintes à sua Palavra, mas também as diferentes atitudes com que, ao longo da história da salvação, a humanidade reagiu e reage à presença das testemunhas de Deus e à sua pregação. Lida assim, a parábola da semente prolonga a sua mensagem ao longo de todos os séculos, antes e depois de Cristo, e chega até nós. Como nós a estamos acolhendo, testemunhando e levando-a aos irmãos e irmãs?
- Para refletir: Como tenho me relacionado com o meu corpo, cuido dele, vejo-o como algo sagrado que Deus me confiou? Esta convicção tem me ajudado a respeitar o outro e ajudá-lo? Como a semente da Palavra de Deus tem caído em meu coração, como a tenho acolhido e permitido que ela floresça em minha vida?
Oração
Senhor,
a tua Palavra cai no meu caminho
para me mostrar o rumo a dar à minha vida.
Mas os meus pontos de vista não me permitem escutá-la
e acolhê-la no íntimo do coração,
no centro da minha existência.
A tua Palavra quer germinar na minha vida,
mas os meus medos, muitas vezes, sufocam-na e matam-na.
A tua Palavra bate à porta do meu coração,
mas uma densa rede de negatividade
não a deixa respirar.
Senhor, torna fértil este meu terreno,
para que a tua Palavra possa viver em mim
e, por meio de mim, nos outros, no ambiente em que vivo
e procuro servir.
Alimenta esta minha existência,
para que a tua Palavra cresça em mim e à minha volta,
para bem do meu próximo e para glória do teu nome.
Reforça a minha vontade e a minha perseverança,
para que a tua Palavra produza frutos abundantes
e duradouros na minha existência
tal como os produziu na vida de tantos santos e santas.
Senhor, a tua Palavra é luz dos meus passos
e fogo que inflama; é água que refresca e sacia,
é espada afiada e penetrante,
é viático para o meu caminho:
Obrigado, Senhor!
Amém.
Pe. Marcelo Moreira Santiago