- Na primeira leitura, Paulo afirma com total convicção que a ressurreição de Cristo é fundamento da nossa fé e da nossa esperança. Foi isso que ele intuiu no caminho de Damasco. Foi essa a certeza que o amparou na dura vida apostólica. O Apóstolo se encontrou verdadeiramente com Cristo vivo, com Cristo vencedor da morte. Dessa vitória, brota para todo o que se guarda na fé o dom de esperar, para além de toda as possibilidades humanas. De fato, Cristo ressuscitado é “primícias dos que morreram”, é “o primogênito de muitos irmãos” (Rm 8, 29). Todos quantos acolherem, pela fé, a Cristo como Salvador, farão a experiência da ressurreição. A esperança cristã se baseia na certeza de que a morte foi vencida, de que a vida nova em Cristo foi inaugurada, de que, em Cristo, viveremos sempre a plenitude da vida, na totalidade do nosso ser humano: corpo, alma, espírito. A esperança cristã é uma esperança-dom, penhor de um bem futuro, que ultrapassará todas as previsões.
- No Evangelho, Lucas nos dá algumas informações sobre quem acompanhava Jesus no seu ministério público. Acompanhavam-no os Doze, como bem sabemos. Mas, segundo uma informação exclusiva de Lucas, o acompanhava também “algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades” (v. 2). Aqui, elas não são apenas ouvintes da sua Palavra ou destinatárias dos seus milagres: colaboram com Ele, apoiando o seu ministério. Isto tem grande interesse: Jesus sabia redimir e libertar algumas mulheres da sua situação espiritual negativa e da situação cultural da época, exploradas e marginalizadas, atraindo-as para junto de si e confiando-lhes tarefas de assistência em relação a Ele e aos apóstolos. Ele soube, pois, valorizar a presença e o serviço de mulheres durante a sua vida pública, o que provavelmente desencadeou a crítica e a malevolência de alguns de seus contemporâneos. Também sobre este aspecto, tão atual, Jesus é apresentado por Lucas como o libertador de que a humanidade precisava.
- Para refletir: Acredito na centralidade da ressurreição de Jesus e vivo uma vida nova, testemunhada na fé e na prática das boas obras? Tenho presente a mesma dignidade entre mulher e homem e de que, na Igreja, Deus lhes confia, através de ministérios, a mesma missão evangelizadora? Trago algum preconceito? Como Jesus agiu e como agiria hoje? ...
Oração
Obrigado, Senhor,
porque, desafiando a mentalidade daquele tempo,
arrancaste a mulher do túmulo da desumanização,
restabelecendo o seu valor de pessoa humana.
Obrigado, Senhor, porque, ultrapassando
os preconceitos e os abusos da cultura em que vivias,
libertaste a mulher do túmulo da subordinação,
valorizando a sua presença e o seu serviço.
Obrigado, Senhor,
porque, envolvendo a mulher
no teu ministério público,
a ergueste do túmulo da descriminação,
prevendo o seu atual papel profético no campo social,
professional, político e eclesial.
Obrigado, Senhor, por todas aquelas mulheres
que, seguindo o teu exemplo,
colaboraram na obra de redenção,
restituindo à mulher o lugar que lhe fora dado por Deus.
Que eu saiba olhar a mulher
com olhos semelhantes aos teus.
Amém.
Pe. Marcelo Moreira Santiago