Na Solenidade de Pentecostes, a Igreja inteira eleva ao Senhor a súplica do salmista: “Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai”. É com essa confiança que hoje queremos pedir a graça de um novo Pentecostes em nossa vida. Esse pedido nasce do desejo sincero de sermos fortalecidos, a cada dia, pela ação do Espírito Santo, que nos inspira, sustenta e conduz em nossa missão cristã.
Sem o dinamismo do Espírito Santo, qualquer ação realizada torna-se vazia de sentido, pois corre o risco de se transformar apenas em uma prática humana, sem a marca da graça de Deus. O próprio salmista recorda que, se o Senhor retira o seu Espírito, tudo perece. É o Espírito quem dá vida, quem sustenta a criação e renova o coração humano.
Por essa razão, permanecem unidos em oração, esperando a vinda do Espírito Santo. Eles sabiam que, sem a força do alto, não seriam capazes de cumprir a missão confiada por Jesus. Então acontece algo novo e admirável: aqueles homens frágeis e inseguros tornam-se anunciadores corajosos das maravilhas de Deus. O Espírito Santo faz deles instrumentos de comunhão, abrindo as portas do coração humano para que todos possam acolher a salvação oferecida por Cristo.
Ao contemplarmos a primeira leitura desta Solenidade, é impossível não nos lembrarmos do episódio da torre de Babel, onde a arrogância humana gerou divisão e confusão. Em Pentecostes, porém, vemos o contrário: homens que reconhecem sua pequenez e se abrem à ação de Deus tornando-se capazes de falar ao coração de todos. O Espírito Santo une aquilo que o orgulho humano separou.
Diante dessa realidade tão bela, precisamos nos perguntar: como temos acolhido a presença do Espírito Santo em nossa vida? Temos nos deixado conduzir pelo seu dinamismo ou tentamos aprisionar o Espírito aos nossos gostos e vontades pessoais? Essas perguntas precisam ecoar em nossa oração, porque todos nós, pelo Batismo, somos templos do Espírito Santo. No entanto, muitas vezes nos esquecemos dessa dignidade por causa de nossas limitações e fraquezas.
Há muitos irmãos e irmãs esperando que lhes anunciemos a bondade e as maravilhas de Deus. Por isso, no Evangelho de hoje, Jesus cumpre sua promessa e sopra sobre os discípulos o Espírito Santo, fortalecendo-os para a missão de colaborar na recriação da humanidade.
Esse Espírito que hoje é derramado sobre nós comunica a verdadeira paz. Não uma paz passiva ou indiferente diante do sofrimento, mas uma paz inquieta, que nasce da confiança em Deus e nos impulsiona a transformar uma realidade marcada pela cultura de morte. Foi essa paz que sustentou os discípulos e os tornou perseverantes na missão evangelizadora, transformando homens de coração endurecido em sinais vivos da graça divina.
Hoje também o Espírito Santo deseja reacender em nós a fé e a vontade sincera de pertencermos a Deus. Precisamos fazer frutificar a graça do nosso Batismo colocando nossos dons à serviço dos irmãos e irmãs. O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus e inflamou o coração dos Apóstolos quer também nos arrancar das situações de morte e pecado nas quais muitas vezes nos encontramos aprisionados.
Como cristãos, não podemos permanecer estéreis, como a semente que é lançada à terra e não produz fruto. Se deixamos de frutificar no amor, silenciamos a voz do Espírito em nossa vida. Uma de suas mais belas ações é justamente a capacidade de unir as diferenças em favor do bem comum e do anúncio do Evangelho.
Entretanto, muitas vezes temos medo daquilo que é diferente. Fechamo-nos facilmente ao diálogo e à acolhida, perdendo, a oportunidade de edificar o Corpo de Cristo. Nossa sociedade, nossas famílias e comunidades de fé sofrem as consequências da incapacidade de escutar e acolher o outro. Cresce cada vez mais o individualismo, que divide, endurece os corações e sufoca a ação do Espírito. É preciso coragem para romper com essa lógica. Todos nós possuímos dons e virtudes concedidos pelo Espírito Santo e somos chamados a fazê-los frutificar para o bem da humanidade, fortalecendo os vínculos do amor e da fraternidade.
Como não pensar em nossa sociedade tão polarizada, na qual o diálogo perde espaço e as diferenças se transformam em motivo de conflito? Quantas guerras assolam a humanidade! Quantas famílias se encontram desestruturadas pelo desamor! Diante de tudo isso, precisamos clamar por um novo Pentecostes, para que o nosso Batismo jamais se transforme em contratestemunho, mas seja sempre sinal da força e da bondade do Senhor.
Assim, rezemos juntos: Espírito Santo, dom de Deus, reanimai em nós o desejo de termos uma vida pautada pelos ensinamentos de Cristo. Sustentai-nos em nossa missão, para que sejamos capazes de iluminar a vida de nossos irmãos e irmãs com o nosso agir. Dissipai as trevas do pecado e fazei brilhar em nós a luz da graça divina, que restaura, cura e une tudo aquilo que o mal tentou destruir. Amém.
Seminarista Rômulo