Iniciamos hoje o mês de agosto, tradicionalmente dedicado às vocações. Neste ano, a CNBB nos convida a refletir sobre o tema: "Comunidades vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão", iluminado pelo lema: "Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas" (At 2,46).
Durante o mês de agosto, cada semana é dedicada a uma vocação específica. A primeira semana é consagrada à vocação sacerdotal por causa da memória de São João Maria Vianney, padroeiro dos padres, e de São Lourenço, padroeiro dos diáconos. A segunda semana nos leva a refletir sobre a vocação matrimonial e familiar, especialmente pela proximidade do Dia dos Pais. Na terceira semana, rezamos pela vida consagrada, inspirados pelo testemunho de homens e mulheres que dedicam toda a sua vida a Deus a partir do exemplo de Maria, a Senhora da Assunção (da Lapa). Na quarta semana, destacamos a vocação dos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo em suas famílias, locais de trabalho e na sociedade. Ao final do mês, lembramos ainda a missão dos catequistas, que colaboram de modo especial na formação da fé. Assim, a Igreja nos ajuda a perceber que cada vocação possui sua beleza e sua importância na missão evangelizadora.
Na liturgia de hoje, a primeira leitura nos apresenta a figura do profeta Jeremias. O verdadeiro profeta é aquele que escuta a voz de Deus e tem a coragem de anunciar a verdade, mesmo quando ela incomoda. Sua missão não é dizer aquilo que as pessoas desejam ouvir, mas convidá-las à conversão e à fidelidade ao Senhor.
Nem sempre essa missão é bem recebida. Muitas vezes pensamos que estamos certos e não sentimos necessidade de mudar. Além disso, quem vive em situação de pecado ou de injustiça geralmente não quer ser questionado. No entanto, a verdade precisa ser anunciada, porque somente ela pode conduzir à liberdade e à vida plena.
No episódio narrado hoje, Jeremias é reconhecido em sua missão e recebe proteção. Sua fidelidade à vontade de Deus encontra acolhida e defesa. Contudo, sabemos que nem sempre acontece assim. Muitos profetas enfrentaram rejeição, perseguições e sofrimentos por permanecerem firmes na verdade.
O Evangelho também nos apresenta a missão profética e suas consequências. Desta vez, contemplamos João Batista, o último dos grandes profetas de Israel e aquele que preparou os caminhos para a vinda do Messias. João anunciava a verdade com coragem e coerência. Por isso, muitas pessoas o admiravam e seguiam seus ensinamentos.
Mas, como acontece frequentemente, aqueles que vivem no erro não querem ser incomodados. João denunciou uma situação contrária à vontade de Deus e, por causa disso, sofreu as consequências de sua fidelidade. Perdeu a vida, mas não perdeu aquilo que era mais importante: sua fidelidade ao Senhor. Sua voz continua ecoando através dos séculos como um forte convite à conversão.
Pelo Batismo, também nós recebemos a missão profética de Cristo. Somos chamados a testemunhar a verdade, a justiça e os valores do Evangelho em nossa família, na comunidade e em todos os ambientes onde vivemos. Nem sempre será fácil. Haverá momentos em que ser fiel a Deus exigirá coragem e perseverança.
Pode parecer mais fácil escolher a omissão, o silêncio diante do erro ou o caminho da mentira. No entanto, quem se afasta da verdade acaba se afastando também da vida que Deus deseja oferecer. Peçamos hoje ao Senhor a coragem de Jeremias e a fidelidade de João Batista, para que sejamos testemunhas autênticas do Evangelho em nosso tempo.
Pe. Thiago José Gomes